e se a gente se encontrasse depois do trabalho e se não tivesse nada programado e fizesse coisas sem pensar no dia seguinte e saísse andando pelas ruas do bairro até chegar no outro bairro e sentasse naquele bar que nunca sentamos e passasse horas bebendo e rindo e acariciando um ao outro como se ninguém observasse a nossa alegria que insiste em transbordar quando estamos a sós e que desenha com traços livres o sorriso mais bonito em mim e que brota em seu rosto o olhar mais terno que já vi e se saísse de lá a pé novamente e batesse naquela portinha que nunca batemos e dançasse nus ao som de nós dois como quando você me olhou e você me ergueu me chamando para você e pegou minhas mãos com todo o seu cuidado e me rodopiou com os pés descalços na areia cantando em meu ouvido as mais lindas melodias de toda doce vida que eu nem imaginava ter ao seu lado.
e se...
Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem fatos, a minha história sem vida. São as minhas confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho a dizer.
18 setembro 2008
11 setembro 2008

“... pensar meu deus que porra é essa, como é que eu me meti nessa, como é que eu saio dessa, quem disse que eu quero sair dessa, esquecer isso tudo, derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e dormir uma dormidinha daquelas antes de começar tudo de novo. e de novo. e de novo e de novo, até ele perceber que não há saída senão se entregar e se entregar sabendo que tudo nos espera (...)”
clarah averbuck em nossa senhora da pequena morte
*music in the air: "i'm your man" - leonard cohen
imagem: ffffound
*music in the air: "i'm your man" - leonard cohen
imagem: ffffound
04 setembro 2008

Depois de alguns anos juntos, se separaram por questões conjugais, não por ausência de amor. Enjaularam-se dentro de si, pincelando o orgulho e a decepção com cores pastéis, tons de melancolia armada e desarmada; noites geladas, manhãs frias, alma empedrada. Ele joga nela a responsabilidade de amá-lo por todo o sempre. Ela se esconde, porque o ama tanto aqui e agora que - sem ele - não enxerga um passo a frente.
Usam sua dor para compor belas e tristes melodias e mantêem entre si uma distância friamente calculada, para que a solidão - já derramada da jaula - possa por aí se espalhar, tornando o mundo mais cinza, refletindo o seu vazio. Temem um ao outro, abrem janelas e fecham portas, voltam sempre para o mesmíssimo lugar.
O dia de hoje amanheceu de olhos inchados, respiração congestionada, uma velha - mas não estranha - inquietação. As lágrimas que antes caíam em silêncio, hoje gritaram com o mesmo tom de voz de um ano atrás. Parece que o tempo congelou.
Há bem mais de doze meses duas pessoas se resistem dolorosamente. Infinita ou interrompida, triste ou feliz, essa é a história de amor que hoje me fisgou.
05 agosto 2008
Hamlet
"Se não for agora, não será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será em um momento qualquer. Estar pronto é tudo."
25 julho 2008
Estrela de Maio
Eu conheço poucas pessoas que seguem com um mesmo blog há tanto tempo. Na verdade, que eu me lembre agora, só eu e a Biba.
Tenho esse cantinho desde 2002 sem previsão de encerramento. Não uso condinome, vou do abstrato ao supérfluo e desinteressante sem almejar um buzz, apenas algum feedback daqueles que por ventura se identificam com o que lêem por aqui.
É interessante ter leitores assíduos que jamais conheci "na vida real". Sempre gostei de colher as impressões que eles têm de mim. Tem aqueles que passaram por aqui somente uma vez e disseram um "oi". Outros que se identificaram tanto com algum texto, que trouxeram outros visitantes. Tenho amigos que fazem do Estrela quase uma rotina: ligam o computador, entram no email pessoal, email de trabalho, site predileto de notícias e Estrela de Maio! Outros nunca decoram este endereço e sempre me perguntam "qual o seu blog mesmo?". Tem o namorado que entra vez em nunca e lê analiticamente os últimos posts... Tem os fuçadores, os passantes, os caça-imagens, os googlers e todos sempre foram muito bem vindos, igualmente.
Publicar "minha autobiografia sem fatos" há seis anos é como conseguir colocar no papel uma trajetória pela qual todos nós passamos: o crescer, o amadurecer. Gosto de ler coisas patéticas que saíram - e saem - de mim e acho bacana ter registrado alguns desabafos que muitas vezes só eu sei quais foram. As coisas aqui sempre foram catalogadas de uma forma mais - ou menos - óbvia do que dentro de mim e gosto de poder passar o olho pela minha história com a mesma facilidade de quem folheia páginas de uma revista qualquer.
Na verdade desatei a falar tudo isso porque perdi todos os meus comments. Fico triste porque eles sempre foram parte integrante do blog, o reflexo da minha emoção. Após três semanas de pane no sistema, resolvi aceitar e instalar um sistema novo. Uma parte disso tudo aqui vai, então, recomeçar!
Tenho esse cantinho desde 2002 sem previsão de encerramento. Não uso condinome, vou do abstrato ao supérfluo e desinteressante sem almejar um buzz, apenas algum feedback daqueles que por ventura se identificam com o que lêem por aqui.
É interessante ter leitores assíduos que jamais conheci "na vida real". Sempre gostei de colher as impressões que eles têm de mim. Tem aqueles que passaram por aqui somente uma vez e disseram um "oi". Outros que se identificaram tanto com algum texto, que trouxeram outros visitantes. Tenho amigos que fazem do Estrela quase uma rotina: ligam o computador, entram no email pessoal, email de trabalho, site predileto de notícias e Estrela de Maio! Outros nunca decoram este endereço e sempre me perguntam "qual o seu blog mesmo?". Tem o namorado que entra vez em nunca e lê analiticamente os últimos posts... Tem os fuçadores, os passantes, os caça-imagens, os googlers e todos sempre foram muito bem vindos, igualmente.
Publicar "minha autobiografia sem fatos" há seis anos é como conseguir colocar no papel uma trajetória pela qual todos nós passamos: o crescer, o amadurecer. Gosto de ler coisas patéticas que saíram - e saem - de mim e acho bacana ter registrado alguns desabafos que muitas vezes só eu sei quais foram. As coisas aqui sempre foram catalogadas de uma forma mais - ou menos - óbvia do que dentro de mim e gosto de poder passar o olho pela minha história com a mesma facilidade de quem folheia páginas de uma revista qualquer.
Na verdade desatei a falar tudo isso porque perdi todos os meus comments. Fico triste porque eles sempre foram parte integrante do blog, o reflexo da minha emoção. Após três semanas de pane no sistema, resolvi aceitar e instalar um sistema novo. Uma parte disso tudo aqui vai, então, recomeçar!
08 julho 2008
24 junho 2008
19 junho 2008
sobre a *ropy*
09 maio 2008
vejo que aquela menina que sempre queria o que não tinha, mudou muito. eu colocava minhas conquistas a perder por um mero impulso egóico, por um simples desafio qualquer. julgava muito chulamente o que era bom pra mim e, é claro, não fui a única a pagar por isso.
tanta coisa errou...
amores voaram, tanto sentimento escorrido pelas minhas mãos como água corrente. contruí castelos invisíveis e destruí obras reais com a mesma facilidade e inocência e quase sempre anestesiei a dor.
minha intensidade sempre foi um tiro no pé. minhas festas, meus beijos, minhas transas eram sempre "mais legais" que dos outros pelo simples fato de eu não dosar energia pra nada. despenquei em queda livre algumas várias vezes pela frustração de fazer das coisas boas, passageiras e tudo se tornou way of life.
sempre pequei por agregar tanto fervor em tudo que vivi, mas só minha própria intensidade foi capaz de colocar as coisas no lugar. hoje tenho boas histórias pra contar (am i gump, mi?!). sinto um frio na barriga tremendo quando olho pra trás, mas tenho pouca saudade do que passou. nostalgia, talvez.
gosto mais do que sou agora.
me orgulha não mais desprezar minhas conquistas, não querer comer o prato do lado, ter aprendido a cuidar da minha casa, das minhas coisas, do meu dinheiro e - mais ainda - de mim. isso refletiu em tudo.
hoje vejo claramente pessoas no mesmo vício do erro e penso: é quase tudo uma questão de escolha. *agradeço pelas minhas*. some things really matter to me.
24 abril 2008
04 abril 2008
"Eu acredito que, se existe algum tipo de Deus, não está em nenhum de nós. Nem em você ou em mim, mas num pequeno espaço no meio. Se existe algum tipo de mágica nesse mundo, deve estar na tentativa de entender alguém compartilhando alguma coisa. É quase impossível conseguir, mas quem se importa? A resposta está na tentativa".
(Ethan Hawke em "Antes do Amanhecer'')
27 março 2008
18 março 2008
05 março 2008
manhã, tarde, noite

será o momento ou a maturidade que cabe a ele, mas o mistério não instigou; nenhum deles têm instigado. o que poderia dar asas a todo universo aquariano, mais parece fincar os pés em terra, naquilo que se tem e não no que se sente. *e, afinal, qual é a diferença entre um e outro?*
"a vida é uma só". frase que, em situação peculiar, soou como um tiro no peito, de repente se torna a parte mais sincera e humana de mim agora.
uma vontade de deitar na minha diagonal agarrada aos quatro travesseiros da cama já não tão grande, de esperar o teatro mágico me acordar para o dia que em algumas horas vai raiar.
hoje acordei pensando em um apanhado de coisas, por si só, tão satisfatórias... nos pequenos afazeres... nas grandes abstrações.
o almoço - pra lá de saboroso - não trouxe sono na manicure, nem preguiça às quartorze e dez, quando voltei pra agência.
a tarde passou rápida, cheia de trabalho, música boa e pequenas revelações.
o jantar foi leve, acompanhado de serramalte gelada numa noite especialmente quente. excelente companhia, voltei pra casa me sentindo - novamente - maior.
o quê posso querer mais, além da liberdade de me sentir feliz?
já tarde, em seu timing, a mensagem de boa noite. uma fraterna vontade de replicá-la ao planeta terra, desejando a tudo e a todos a melhor noite do mundo.
*
e que venha o próximo dia: cheinho de novidades - como todos os novos dias são -, com cheiro de lavanda, de banho tomado... acompanhado pela minha melhor trilha... ainda que não seja a paisagem sonora do mundo real.
04 março 2008
a música da semana se chama: golden cage, the whitest boy alive
So you no longer care if there's another day
I guess I have been there, I guess I am there now
You knew what you wanted and you fought so hard
Just to find yourself sitting in a golden cage
In a golden cage
So of course I miss you and miss you bad
But I also felt this way when I was still with you
Yes of course I miss you and miss you bad
But I also felt this way when I was still with you
This city's no longer mine
There's sadness written on every corner
Each lover was made to sign
Now I hear them calling me over and over
I guess I have been there, I guess I am there now
You knew what you wanted and you fought so hard
Just to find yourself sitting in a golden cage
In a golden cage
So of course I miss you and miss you bad
But I also felt this way when I was still with you
Yes of course I miss you and miss you bad
But I also felt this way when I was still with you
This city's no longer mine
There's sadness written on every corner
Each lover was made to sign
Now I hear them calling me over and over
19 fevereiro 2008
*
eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura
um olhar que demora
*paulo leminski
12 fevereiro 2008
06 fevereiro 2008
Voltou de viagem roendo as unhas – como não é de costume .Talvez estivesse ansiosa depois de tantos dias de calmaria e paz. Se confundia toda quando olhava para dentro de si e encontrava dois nomes tão distintos, que ora se misturavam, ora se distinguiam, ora faziam sentido, ora sentido algum. Almoçou com a grande amiga, fez alguns telefonemas, acendeu um, dois cigarros procurando inspiração pelos cantos do quarto. Deitou de olhos bem fechados agarrada ao travesseiro favorito num misto de frio e calor. Alguns presságios… Viagem, lucidez, afirmação, desconstrução. Talvez fosse melhor dar um tempo para si. (?)ilustração: sara mello
30 janeiro 2008
17 janeiro 2008
Ainda na fase de citações...
**
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
**
Tenha confiança. Conte com as circunstâncias, que também são fadas. Conte mais com o imprevisto. O imprevisto é uma espécie de deus avulso.
Machado de Assis
**
15 janeiro 2008
Sol, Vênus.
Quando o destino lhes trouxer tristezas ou tragédia, nenhum deles falhará no teste da lealdade, e isto pode ser a canção mais duradoura do amor - com ou sem música de fundo.
14 janeiro 2008
11 janeiro 2008
On the road
"... gosto de muitas coisas ao mesmo tempo, e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de um destino falido para outro, até desistir. Assim é a noite, é isso o que ela faz com você; eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão".
JACK KEROUAC
10 dezembro 2007
.
ela não sabia o quão importante seria voltar a ocupar toda a cama na hora do sono. desta vez foi leve e doce. por duas manhãs acordou na diagonal.
07 dezembro 2007
**
Dr. Curtis McCabe: And you didn't immediately wanna sleep with her?
David: Well, you know, I'm a pleasure delayer.
David: Well, you know, I'm a pleasure delayer.
* Vanilla Sky
05 dezembro 2007
sem mais, my Romeo.
... o repertório do que se sente é o mesmo, mas cada casal tem o seu tapete mágico que nos leva sem roupa para uma eterna gratidão aos deuses, por ter deixado eu brigar, para depois fazer sexo de reconciliação e morder tanto aquela boca.... com os olhos muito fechados................
se a gente vai voltar não se sabe, mas foi lindo dizer à flor da pele o quão ela é a mulher que eu amo...
03 dezembro 2007
26 novembro 2007
21 novembro 2007
19 novembro 2007
08 novembro 2007
06 novembro 2007
Não pude

Como uma não-virginiana que sou, eu nunca soube listar coisas. Sei fazer lista de afazeres inúteis e palpáveis, mas nunca consegui seguir uma à risca. Nunca entrei num supermercado e obedeci a singela listinha que a empregada me fez. Não sinto que tenho o poder de manter a prioridade das coisas, nem a pretensão de alcançar todas elas. Uma palavra entre uma linha e outra torna-se um adorno facilmente em minhas mãos.
Descobri que a lista da minha vida é um grande emaranhado de sentimentos impressos em diferentes cores, sentidos e emoções que não necessariamente têm ordem, porto de chegada, prazo ou hora para se alcançar. Junto traços de um desenho abstrato a meras impressões soltas em palavras com mais lógica do que qualquer coisa que eu consiga enumerar.
Gosto do que é lúdico, sei de tudo o que almejo e crio artifícios - nunca atalhos - que me levam até lá. Artifícios porque gosto de brincar de ir e vir no tempo, gosto da mágica de contagiar pessoas e de me deixar contagiar por elas. Os atalhos não me permitem aprofundar. Gosto do descompromisso quando é compromissado, de inventar e colorir as coisas e, assim, dar destaque a elas. Utilizo conjunções, adjetivos e preposições para tornar as palavras atemporais. Nada disso caberia numa lista. Aqui dentro é sempre história e poesia.
Quando deito e fecho os olhos minhas mãos se enchem ao tocar meu seio esquerdo. Sonho com qualquer coisa que me mantenha alimentada na manhã corrida do dia seguinte. Com as pontas dos meus dedos inverto o curso das coisas, o tom das melodias, o rosto das palavras. Transformo a surpresa de tudo o que é agora e finjo não querer saber o que há de ser. Faço música com o silêncio, rabisco papéis em branco. Eu bem que tentei, mas não pude seguir o seu conselho. Não agora. Por ora não dá.
A melhor mulher que você já desperdiçou
Alice A. tinha peitos de índia e uma sensibilidade pernóstica de tão curiosa nos ombros morenos. Guardava o hábito lascivo de apertar os amores entre as pernas, como se pretendesse esmagá-los sobre o próprio ventre. Gostava das marcas e da expressão "roxa de paixão". Gostava de desenhar contornos com a língua e de provocações ao pé do ouvido. Gostava de sentir o peso e trepava de olhos abertos; tinha prazer em observar. Expressões, movimentos, pupilas dilatadas, pelos eriçados, contornos. O antes, o durante, o depois. Sorria. Naquela noite, deteve-se no depois. Fingiu dormir e, quando sentiu sobre o peito a outra respiração do terceiro sono, levantou. Sentada ao pé da cama com as pernas cruzadas como a de uma menina de tranças, acendeu um dos cigarros franceses que ele lhe trouxera de presente e observou. Observou com um cuidado cirúrgico cada milímetro de pele exposta sob a luz do abajur que ela tanto gostava. Guardou com cuidado o desenho das costas e o tamanho das mãos. Quis fotografá-lo; indefeso, belo. Como o achava belo. Sabia, de algum jeito, que jamais acharia alguém assim tão belo. Nem sob a luz daquele abajur, que ela adorava tanto, nem sob qualquer outra luz. Com a Polaroid dele e o cigarro pendurado na boca, imitando para si mesma uma daquelas atrizes francesas dos filmes que ele tanto admirava, fotografou. A foto que seria para sempre, enquanto ela se lembrasse, a foto mais bonita que havia feito na vida. Estava séria. Vestiu-se com o cigarro francês, que era o presente, ainda pendurado, e escreveu na parede com aquele lápis vermelho de marcenaria: “Querido, se você quer uma mulher capaz de subir com você em um fusca verde para qualquer lugar do mundo com uma mochila e um mapa e que ouça Billie Holliday enquanto cozinha; se você quer uma mulher que escreva cartas de amor, que tire fotos de amor, que rasgue roupas de amor, que chore e grite de amor e que viva de amor. Se você quer uma mulher que não tem noção ‘do quanto’ e que por isso não tem restrições sobre quando ou onde; se você quer uma mulher que sangra, que cheira, que morde, que explode, que aguenta; uma mulher com força o bastante, vontade o bastante, coragem o bastante, imaginação o bastante, loucura o bastante, doçura o bastante, atrevimento o bastante, saliva o bastante e poesia demais; querido... se você quer uma mulher capaz de fugir pra qualquer lugar do mundo, sozinha, num fusca verde, com uma mala, uma foto e um mapa, querido, meu querido, você vai ter que me conquistar primeiro.” Apagou o cigarro, o abajur. A mala já estava pronta. Sorria.
29 outubro 2007
she's got the power
de preferência ao vivo, de olhos bem abertos, envolta por uma acústica perfeita:
música da semana: metal heart, cat power.
música da semana: metal heart, cat power.
25 outubro 2007
ontém
palavras de um amigo:
"sabe, mãe... quanto mais o tempo passa, mais eu tenho convicção de que não vou abrir mão da minha felicidade. por nada."
simples, quase redundante e muito inspirador.
"sabe, mãe... quanto mais o tempo passa, mais eu tenho convicção de que não vou abrir mão da minha felicidade. por nada."
simples, quase redundante e muito inspirador.
17 outubro 2007
Waking life
Anseio e frustração. É daí que eu acho que veio a linguagem. Quero dizer, veio do desejo de transcender o nosso isolamento e estabelecer ligações uns com os outros. Devia ser mais fácil quando era uma questão de mera sobrevivência.
Eu digo "água". Criamos um som para isso. "Tigre atrás de você". Criamos um som para isso. Mas fica realmente interessante, acredito eu, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos. O quê é frustração? O quê é "raiva" ou "amor"?
Quando eu digo "amor" o som sai da minha boca e atinge o ouvido de outra pessoa, viaja por um canal labiríntico em seu cérebro através das memórias de amor - ou falta de amor. O outro pode até dizer que compreende, mas como eu sei disso? As palavras são inertes, são apenas símbolos, estão mortas! E tanto da nossa experiência é intangível. Tanto do que percebemos é inexprimível, é indizível. E ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros e sentimos ter feito uma ligação e termos sido compreendidos, temos uma sensação quase como uma comunhão espiritual. Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos.
Eu digo "água". Criamos um som para isso. "Tigre atrás de você". Criamos um som para isso. Mas fica realmente interessante, acredito eu, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos. O quê é frustração? O quê é "raiva" ou "amor"?
Quando eu digo "amor" o som sai da minha boca e atinge o ouvido de outra pessoa, viaja por um canal labiríntico em seu cérebro através das memórias de amor - ou falta de amor. O outro pode até dizer que compreende, mas como eu sei disso? As palavras são inertes, são apenas símbolos, estão mortas! E tanto da nossa experiência é intangível. Tanto do que percebemos é inexprimível, é indizível. E ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros e sentimos ter feito uma ligação e termos sido compreendidos, temos uma sensação quase como uma comunhão espiritual. Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos.
(transcrição de diálogo do filme waking life, richard linklater)
02 outubro 2007
28 agosto 2007

Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és...
CAIO FERNANDO ABREU
20 agosto 2007
Mudança
A mulher, seus erros, seu jeito de rir, seu eterno sono de manhã, sua intolerância, seus medos, suas viagens, seu melhor amigo, seu namorado, suas visitas, sua allegria sem motivo, sua lucidez, sua solidão, sua comoção súbita por tudo isso. Em breve, esse pequeno mundo será transferido para outro ponto da cidade que, ocupada demais, nem perceberá.
Tento lembrar das expectativas que trouxe quando me mudei para cá e no que levo agora. Talvez aportar sem expectativas seja a lição, se é que há uma lição. Muita coisa vai ficar. Muita coisa será doada. Quero partir mais leve do que cheguei. Deixar espaço para o espaço na casa nova e em mim.
Penso no que nos espera. Torço pelo que nos espera. Olho os sonhos varridos e acumulados no canto do quarto. Meu deus, como estou cansada de me mudar.
(autor desconhecido)
Tento lembrar das expectativas que trouxe quando me mudei para cá e no que levo agora. Talvez aportar sem expectativas seja a lição, se é que há uma lição. Muita coisa vai ficar. Muita coisa será doada. Quero partir mais leve do que cheguei. Deixar espaço para o espaço na casa nova e em mim.
Penso no que nos espera. Torço pelo que nos espera. Olho os sonhos varridos e acumulados no canto do quarto. Meu deus, como estou cansada de me mudar.
(autor desconhecido)
19 agosto 2007
14 agosto 2007
it's not advertising
*
anfitrião:
- aquela é a manoela. ela é art buyer da dentsu.
amigo do anfitrião:
- nigthbiker de onde?
amiga do anfitrião:
- não, de a-ti-bai-a!
*
anfitrião:
- aquela é a manoela. ela é art buyer da dentsu.
amigo do anfitrião:
- nigthbiker de onde?
amiga do anfitrião:
- não, de a-ti-bai-a!
*
05 agosto 2007
time to change, to change the meaning of being here, walking along every day and breathing the same pale blue air. i'm going, babes. it's just a matter of time. wake up to life, even late than too late.
i just don't know what to say to make a sunny day. and when i'm all alone, i feel i don't wanna hide.
i just don't know what to say to make a sunny day. and when i'm all alone, i feel i don't wanna hide.
02 agosto 2007
30 julho 2007
“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais, etc. etc. Mas eu disse ‘momentos’ e não as 24 horas de cada dia. Quando uma mulher que se apaixona se queixa, eu tenho vontade de fazer-lhe esta pergunta: ‘Não lhe basta amar? Você quer, ainda por cima, ser feliz?.’ Pois o destino, quando concede a graça inefável do amor, subtrai uma série de outras coisas. (...) A intensidade do amor é, por si mesma, trágica."
Nelson Rodrigues
27 julho 2007
o silêncio jamais constrangera. nunca soube o que os ligara assim tão de imediato, fazendo de cada novo momento uma nova escolha, desafios tão facilmente relevados nas doces entregas do dia a dia que os carregara até lá. expressões de encanto nos olhos, o tom quase sempre baixo da voz, as lentas garfadas nos jantares a dois, as mãos que por vezes taparam os rostos quando, ingênuos e despercebidos, falavam puramente de amor. nas madrugadas, vazios tão rapidamente preenchidos, pois fizera dos dias pura e simples calmaria.
no vácuo do pensamento, no encaixe perfeito, em profundo sentimento, dissera 'eu te amo' como quem fala em cuidar. mãos e joelhos, braços e coxas, pés e pescoços em novas formas de abraçar. solenes os dias, as noites e as madrugadas floridas na cama de amor.
viera o curto tempo, o vento, mais dias, mais noites e tantas outras madrugadas ferventes e frias. se fizera distante. conseguira ver, mas não construira. preenchera o silêncio de vazio, tão vazio fizera este silêncio. não falara de amor, não falara de vida.
no vácuo do pensamento, no encaixe perfeito, em profundo sentimento, dissera 'eu te amo' como quem fala em cuidar. mãos e joelhos, braços e coxas, pés e pescoços em novas formas de abraçar. solenes os dias, as noites e as madrugadas floridas na cama de amor.
viera o curto tempo, o vento, mais dias, mais noites e tantas outras madrugadas ferventes e frias. se fizera distante. conseguira ver, mas não construira. preenchera o silêncio de vazio, tão vazio fizera este silêncio. não falara de amor, não falara de vida.
20 julho 2007
"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima', certa 'preparação'. Certa 'grandeza'.
Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."
Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."
Caio Fernando Abreu
18 julho 2007
_um pouco clarice, um pouco caio, um pouco manu. não no modo de escrever; no de pensar. não é manu, nem clarice, nem caio. é gi, e caiu como uma luva.
enquanto penso, não sei se sinto, fujo sem sair do lugar. aperto e sufoco, solto e não liberto, monitoro. leio sete linhas sem pausas e vírgulas, me acalmo: _ nem tudo está perdido pensei o caminho sem a gente perceber é a parte mais linda da viagem. aquela aflição que bate de vez em quando angústia é mais que parte importante do jogo e é quem abre portas. quando andando com medo da incerteza de tudo pisca os olhos rapidinho pra ver se está mesmo acordada se é assim mesmo tudo em desordem dentro e fora. e é. pisca de novo aí já só pra relaxar as pálpebras que sabem que não tem como fugir do que é real.
enquanto penso, não sei se sinto, fujo sem sair do lugar. aperto e sufoco, solto e não liberto, monitoro. leio sete linhas sem pausas e vírgulas, me acalmo: _ nem tudo está perdido pensei o caminho sem a gente perceber é a parte mais linda da viagem. aquela aflição que bate de vez em quando angústia é mais que parte importante do jogo e é quem abre portas. quando andando com medo da incerteza de tudo pisca os olhos rapidinho pra ver se está mesmo acordada se é assim mesmo tudo em desordem dentro e fora. e é. pisca de novo aí já só pra relaxar as pálpebras que sabem que não tem como fugir do que é real.
17 julho 2007
online_out of line
she says:
sera que ela descobriu que ele só tá com ela por causa da doença da avó?
(...)
she says:
eu não gosto dela. as pessoas tem que saber quando são feias.
(...)
she says:
meu, ela descobriu, certeza!
i say:
*&^%fb&^^)(*&)(&(*JTDTR^&^*$^%$^%
hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
*&^%(&**^()*JHVYDTR&%*&YH(*&*B&(F
sera que ela descobriu que ele só tá com ela por causa da doença da avó?
(...)
she says:
eu não gosto dela. as pessoas tem que saber quando são feias.
(...)
she says:
meu, ela descobriu, certeza!
i say:
*&^%fb&^^)(*&)(&(*JTDTR^&^*$^%$^%
hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
*&^%(&**^()*JHVYDTR&%*&YH(*&*B&(F
16 julho 2007
New Beginning
Segunda-feira chuvosa e cheia de prosperidade.
Thanks Life for the oportunity ;)

Now don't get me wrong - I love life and living
But when you wake up and look around at everything thats going down
All wrong
You see we need to change it now, this world with too few happy endings
We can resolve to start all over make a new beginning
Start all over . . . . . . . . .
.
.
.
New Beginning - Tracy Chapman
Thanks Life for the oportunity ;)

Now don't get me wrong - I love life and living
But when you wake up and look around at everything thats going down
All wrong
You see we need to change it now, this world with too few happy endings
We can resolve to start all over make a new beginning
Start all over . . . . . . . . .
.
.
.
New Beginning - Tracy Chapman
13 julho 2007
26 junho 2007
A Praia

Mesmo que demore
Quero a emoção da conquista
pouco a pouco
pra nunca acabar
Mesmo que demore
Pode ser infinito
muito mais que sonhar
Mesmo que demore
quero desaguar na praia
me deliciar com teus pudores
com teu cheiro profundo
com tuas entranhas
Mesmo que demore
quero a paciência, a dormência, a demência
Mesmo que demore
de mim terás tudo
Doce melado escarrado
perdido delinquentemente seu
Mesmo que demore
quero a manhã do dia seguinte
o braço dormente
a chaleira apitando
a luz do sol no teu bronzeado
aquele sorriso...
Mesmo que demore
te olhar em pêlo
eu desejo
Tirar um téco
e te amar
sem parar, te amar, te amar...
Mesmo que demore
no coração fica mesmo
A lembrança do teu balançado
doçura divina
Mesmo que demore
terei certeza de ter te querido pra sempre
POR GIANCARLO MASTROBUONO
19 junho 2007
Foi sexta
Palavras confortantes da Roxa, querida, soulmate:
(...) sexta-feira foi dia de lua nova, fase de limpar, purificar, renovar. Na lua nova predomina a escuridão no céu... há uma diminuição do campo magnético... um vazio... prevalece o instinto e a consciência que ainda não foi despertada. Na escuridão da lua negra podemos contemplar os nossos objetivos mais elevados e abrir o espaço para que o destino possa agir. É preciso renovar as energias, preparando-nos para um novo ciclo.
Enfim, foi.
(...) sexta-feira foi dia de lua nova, fase de limpar, purificar, renovar. Na lua nova predomina a escuridão no céu... há uma diminuição do campo magnético... um vazio... prevalece o instinto e a consciência que ainda não foi despertada. Na escuridão da lua negra podemos contemplar os nossos objetivos mais elevados e abrir o espaço para que o destino possa agir. É preciso renovar as energias, preparando-nos para um novo ciclo.
Enfim, foi.
18 junho 2007
14 junho 2007
amigo-lhes,
qual a probabilidade de vc - dentro do carro em movimento - sair clicando a praia de ipanema que nem uma turista louca e captar nitidamente seus amigos, também turistas loucos, sem perceber?
a probabilidade eu não sei, só sei que me encaixo nela.
encontrar, encontrar, não nos encontramos, mas agora sei meeeesssssmo: vocês estavam lá!
simplesmente incrivel. é isso que eu chamo de sincronismo. o perfeito sincronismo do acaso.
qual a probabilidade de vc - dentro do carro em movimento - sair clicando a praia de ipanema que nem uma turista louca e captar nitidamente seus amigos, também turistas loucos, sem perceber?
a probabilidade eu não sei, só sei que me encaixo nela.
encontrar, encontrar, não nos encontramos, mas agora sei meeeesssssmo: vocês estavam lá!
simplesmente incrivel. é isso que eu chamo de sincronismo. o perfeito sincronismo do acaso.
12 junho 2007
03 junho 2007
01 junho 2007
todo és una ilusión. escuche.
por favor:
coloque o fone.
aumente o volume no máximo.
VEJA o som, clicando aqui:
*
*
*
"silenzio, no hay banda. no hay orquestra. todo és una gravación..."
*
*
*
coloque o fone.
aumente o volume no máximo.
VEJA o som, clicando aqui:
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"silenzio, no hay banda. no hay orquestra. todo és una gravación..."
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28 maio 2007
e caio sempre me inspirando...
"Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."
*
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."
*
"Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo."
**caio fernando abreu, caio fernando abreu, caio fernando abreu.

prefiro sempre acreditar que ele - sim, o caio - viveu as mesmas coisas que eu, ainda que cada um ao seu modo. me perco e me encontro dentro dessas íntimas prosas e, entre segredos passados, mágoas disfarçadas e eternos presentes, me sinto feliz, muito, muito feliz.
*
música da semana: "be thankful for what you got", sampled.
*
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."
*
"Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo."
**caio fernando abreu, caio fernando abreu, caio fernando abreu.

prefiro sempre acreditar que ele - sim, o caio - viveu as mesmas coisas que eu, ainda que cada um ao seu modo. me perco e me encontro dentro dessas íntimas prosas e, entre segredos passados, mágoas disfarçadas e eternos presentes, me sinto feliz, muito, muito feliz.
*
música da semana: "be thankful for what you got", sampled.
21 maio 2007
entre. sintaxe a vontade.

"a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto ou indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas é aposto
(...)
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não

façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
mas sejamos também o anúncio da contra-capa
porque ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo
e negar a si mesmo
é muitas vezes, encontrar-se com Deus
com o teu Deus
(...)

sem horas e sem dores
que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...
tem horas que a gente se pergunta
por que é que não se junta
tudo numa coisa só? "
***
Letra? O Teatro Magico, lógico.
Motivo?
Essa foi a única forma que encontrei de agradecer todas as pessoas especiais da minha vida e a energia vital que elas me trazem. Thanks, God. I'm pretty blessed.
07 maio 2007
Agora
O mistério da mulher está em cada afirmação ou abstinência, na malícia das plausíveis revelações, no suborno das silenciosas palavras...
24 abril 2007
li por aí
Você repete, repete, repete, e de repente quer fugir. Você foge, e aí quer continuar fugindo.
E a fuga repete, repete, e de repente já não foge de mais nada. E aí você pára.
Até onde uma fuga da rotina consegue ir, sem se tornar uma nova rotina vestindo uma máscara de fugir dela mesma?
E a fuga repete, repete, e de repente já não foge de mais nada. E aí você pára.
Até onde uma fuga da rotina consegue ir, sem se tornar uma nova rotina vestindo uma máscara de fugir dela mesma?
http://www.pelasbarbasdoprofeta.blogspot.com/
23 abril 2007
- I´m stuck. Does it get easier?
- No. Yes. It gets easier.
The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you...
(de Lost in Translation)
**
"(...) caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo."
(por e-mail)
- No. Yes. It gets easier.
The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you...
(de Lost in Translation)
**
"(...) caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo."
(por e-mail)
11 abril 2007

Criatividade é coisa pouco usual: assombra.
Transforma a realidade. Desarranja. Subverte. Revela.
Desconfia do que vê e ouve. Duvida do certo. Atua até quando erra.
Infiltra-se nas noções preconcebidas. Diverte.
Perturba certezas estabalecidas.
Inventa novos caminhos e vocabulários incessantemente.
Provoca e muda pontos de vista.
Arte: Paul Von Poser
09 abril 2007
por ora

ilustração: giulianna ronna
nestes dias de repouso e tranquilidade olhei o mundo dentro de uma calmaria quase excessiva e sinto-me agora tão e somente tranquila.
não consigo imaginar como serão os próximos meses dentro e fora daqui. não sei qual é a forma que o meu novo eu tomará. não sei a resposta do outro em relação a mim, afinal os outros são o reflexo de nós mesmos no mundo, não?
meus sonhos têm me trazido mensagens incertas que por ora não quero interpretar. alongar o corpo pela manhã tem sido uma forma de espantar qualquer coisa que não esteja intrínseca em mim agora. aliás, só tenho pensado no agora. é quase egoista, é quase irresponsável, é quase animal. é tão palpável que dá gosto de tocar. por ora não peço nada, apenas possuo. por ora sou eu agora. meu eu em profunda mutação.
28 março 2007
20 março 2007
Do fim de semana:
O que eu adorei em Maria Antonieta foram os ícones modernos para contar uma história de época. Falo desde a tipologia geométrica e rosa-shock do logo e créditos do filme, até a trilha que embala a história: rock contemporâneo inglês que não é paisagem sonora do filme e sim do - e para o - espectador. Figurino e cenários fantásticos, boa direção, mas faltou. O filme é desnecessariamente longo e raso. Não conta, não tem porto de chegada e não comove. Não me comoveu.
Entre o melhor do som estão New Order ("Ceremony" encaixada em "Playsong", bela canção do álbum "Disintegration", do The Cure) e Strokes, "What Ever Happened" e minha grande descoberta : The Windsor for the Derby e a ma-ra-vi-lho-sa "Melody of a Fallen Tree".
Comprar trilhas sonoras muitas vezes pode parecer bobagem, já que o espírito colecionador dos musico-maníacos - como eu - faz com que o álbum não seja novidade, pois já se tem as gravações originais (bem) arquivadas em casa. Mas neste caso a boa seleção assinada por Kevin Shields (responsável também pela trilha de "Encontros & Desencontros") faz valer a atenção desperdiçada. A trilha é mesmo, sem dúvida, melhor que o filme!
Borat é too much for my humor. Faltou muito para que eu soltasse pelo menos uma média risada.
Hoje é dia de Os Infiltrados, aí sim. E que a boa expectativa não me decepcione!
Entre o melhor do som estão New Order ("Ceremony" encaixada em "Playsong", bela canção do álbum "Disintegration", do The Cure) e Strokes, "What Ever Happened" e minha grande descoberta : The Windsor for the Derby e a ma-ra-vi-lho-sa "Melody of a Fallen Tree".
Comprar trilhas sonoras muitas vezes pode parecer bobagem, já que o espírito colecionador dos musico-maníacos - como eu - faz com que o álbum não seja novidade, pois já se tem as gravações originais (bem) arquivadas em casa. Mas neste caso a boa seleção assinada por Kevin Shields (responsável também pela trilha de "Encontros & Desencontros") faz valer a atenção desperdiçada. A trilha é mesmo, sem dúvida, melhor que o filme!
Borat é too much for my humor. Faltou muito para que eu soltasse pelo menos uma média risada.
Hoje é dia de Os Infiltrados, aí sim. E que a boa expectativa não me decepcione!
19 março 2007
amora

(ilustração: sara mello)
ela finalmente tinha nascido, mas era estranho observá-la em meus braços e não sentir aquela emoção que sempre sonhei sentir. ela não se parecia comigo, nem com o pai. olhos bonitos, bochecas rosadas, pouco cabelo, orelhas levemente de abano, sorriso maduro. uma independência implícita em seus traços cruelmente entregava: ela não precisava de mim. talvez este fosse o porque da silenciosa dor que me tomava desde o momento em que a vi.
enquanto fazia sua mamadeira, deixei-a no carrinho e ela logo saiu caminhando em outra direção. eu queria que ela precisasse de mim, mas no fundo eu também não precisava dela. senti angustia, mas deixei-a livre e assim, ela se foi.
deitei na cama, pensamento distante, profunda frustração, sono pesado. uma enfermeira entrou no quarto confirmando o engano: "aqui está sua filha". ali estava minha verdadeira filha. logo vi nela muito de mim, da minha familia, do pai. ali estava meu amor. tão rapidamente eu já a amava mais do que tudo em minha vida. ela precisava inteiramente de mim. nós já não podíamos respirar sem ela.
22 fevereiro 2007
08 fevereiro 2007
"Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.
Quando há sol e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas,se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada..."
CFA
Quando há sol e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas,se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada..."
CFA
06 fevereiro 2007
We need to rethink...
Sim, eu ainda me emociono quando recebo cartas escritas a mão, a arte é mais expressiva quando artesanal e os relacionamentos são mais puros (será essa a palavra?) quando não influenciados pelo mundo virtual. No entanto, já não era sem tempo, devo admitir: Sou apaixonada por internet.
"we need to rethink:
copyrights
authorship
identity
ethics
aesthetics
rhetorics
governance
privacy
commerce
love
family
OURSELVES"
"we need to rethink:
copyrights
authorship
identity
ethics
aesthetics
rhetorics
governance
privacy
commerce
love
family
OURSELVES"
05 fevereiro 2007
15 janeiro 2007
Before Sunset
Essa cena é de um dos meus filmes preferidos, que não seria nada sem o seu antecessor, Before Sunrise. Difícil descrever o que ela representa para mim.
Peço desculpas aos que:
- Nunca assistiram o filme;
- Não falam inglês;
- Não falam japonês
So, enjoy!
A trilha? Nina Simone, of course... Just in time.
12 janeiro 2007
08 janeiro 2007
post secret
vi essa matéria ontém no fantástico e fiquei super curiosa pra xeretar:
milhares de pessoas do mundo inteiro mandam postais para um cara revelando seus maiores segredos anonimamente. a mania pegou tanto que ele recebe centenas de postais diariamente e resolveu até montar um blog:
doida a necessidade de ferramentas cada vez menos palpáveis para a 'salvação', a busca do perdão por intermédio - somente - do abstrato.
milhares de pessoas do mundo inteiro mandam postais para um cara revelando seus maiores segredos anonimamente. a mania pegou tanto que ele recebe centenas de postais diariamente e resolveu até montar um blog:
doida a necessidade de ferramentas cada vez menos palpáveis para a 'salvação', a busca do perdão por intermédio - somente - do abstrato.
04 janeiro 2007
03 janeiro 2007
Sem fome, sem sono, sem culpa, e sem dor.
Sem ciúmes, sem pressa, sem ódio, sem apego e sem pressões. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha, e sensível. Sem medo. Sem controle. Sem juízo. Sentindo-me amada com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Sentindo-me íntima da transitoriedade. Buscando o equilíbrio no instável, no insólito, no inesperado, no inexistente... Sentindo-me passageira nesta viagem louca e sem destino. Percorrendo caminhos ainda não trilhados. Ficando cada vez mais e mais perplexa, fascinada e encantada com os novos horizontes. Amando as surpresas todas no momento mesmo em que acontecem.
Quebrando barreiras, de modo irreversível.
Ultrapassando limites.
Buscando (e encontrando!) a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgada por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão... Podendo (é claro) ser julgada, mas condenada, jamais!
Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e sagrado período da minha vida. Sugando a delícia doce das coisas livres. Vivendo as maiores e as mais altíssimas paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me estivesse cobrindo com as flores das flores das flores.
Inundado de carinho e gratidão.
Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções.
Com a cabeça nas nuvens, e o coração no infinito glorioso.
Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores breves e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na Praia de Pernambuco, óleo de amêndoas doces, rosas brancas e vermelhas, taças de vinho transbordantes, muita liberdade, muita alegria, saúde, poesia, tesão, gostosura... e tempo livre para viver tudo isso?
EDSON MARQUES
Sem ciúmes, sem pressa, sem ódio, sem apego e sem pressões. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha, e sensível. Sem medo. Sem controle. Sem juízo. Sentindo-me amada com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Sentindo-me íntima da transitoriedade. Buscando o equilíbrio no instável, no insólito, no inesperado, no inexistente... Sentindo-me passageira nesta viagem louca e sem destino. Percorrendo caminhos ainda não trilhados. Ficando cada vez mais e mais perplexa, fascinada e encantada com os novos horizontes. Amando as surpresas todas no momento mesmo em que acontecem.
Quebrando barreiras, de modo irreversível.
Ultrapassando limites.
Buscando (e encontrando!) a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgada por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão... Podendo (é claro) ser julgada, mas condenada, jamais!
Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e sagrado período da minha vida. Sugando a delícia doce das coisas livres. Vivendo as maiores e as mais altíssimas paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me estivesse cobrindo com as flores das flores das flores.
Inundado de carinho e gratidão.
Dançando nas minhas próprias e nas tuas emoções.
Com a cabeça nas nuvens, e o coração no infinito glorioso.
Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores breves e brilhantes, crepúsculos cor de abóbora na Praia de Pernambuco, óleo de amêndoas doces, rosas brancas e vermelhas, taças de vinho transbordantes, muita liberdade, muita alegria, saúde, poesia, tesão, gostosura... e tempo livre para viver tudo isso?
EDSON MARQUES
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