08 abril 2009



A pessoa que dedica sua vida a ser contra você,
ainda assim, dedica sua vida a você.
Isso tem nome: amor às avessas.

Rosana Hermann





06 abril 2009



em algum outro momento eu estaria surtando de ansiedade. ela tem batido aqui às vezes, mas não como antes. difícil sentir isso ao longo de um período ocioso e delicado. reclamei tanto do cansaço, que hoje descanso há mais de dois meses por tempo ainda indeterminado.
você me acalma. acho que essa é a grande qualidade que sua presença me traz. é como se nada pudesse abalar a estrutura em que me encontro agora, como se eu sempre visse a luz antes do túnel, como se mesmo na penumbra eu já estivesse aquecendo as asas, fazendo os últimos ajustes, prestes a decolar, mas com os pezinhos não tão longes do chão.

obrigada, anjo meu.
és meu equilibrio neste imenso mar de emoções.

23 março 2009

radiohead_são paulo

foi sensacional.
porque não basta o público ser bonitinho e descolado. tem que curtir a melancolia de exit music, nude, *everything in its right place de olhos fechados, braços abertos e sorriso emocionado no rosto. tem que entender a (des)contrução de paranoid android que leva neguinho do céu até o chão. tem que arriscar um tchururu pra fazer thom yorke tocar creep. tem que se entregar em jigsaw falling into place. eu me joguei.
como se não bastasse, tinha brisa no rosto, cerveja gelada, companhias perfeitas, catarse constante e cenografia de matar. teve "now we're one in everlasting peace" em silêncio no abraço que é o meu lugar no mundo. não faltou nada. *tudo em seu perfeito lugar.


22 janeiro 2009

14 janeiro 2009

06 janeiro 2009

Eu entendi algumas coisas que nunca havia entendido. E consegui me colocar um pouco no seu lugar. Ele não foi claro com você. Talvez tenha sido distantemente transparente, mas só a palavra crua e ácida é capaz de dissolver o sonho que nos carrega pelas ruas coloridas e ensolaradas do mundo do amor. Ele bem que tentou, mas - ao contrário - seguiu montado num silêncio inóspito que *te (e mais tarde *me) atropelou. E posso afirmar que tudo fez tão mal à mim, quanto à voce.

Hoje já não quero me apegar aos detalhes que te fizeram perder a razão. Já não vem ao caso, a sabedoria que o tempo traz me explica o porquê de certas coisas caminharem tão tortas para, então, se endireitar. Depois de tanta chuva, veio o vento e hoje tem a brisa doce e constante da harmonia das coisas em seu devido lugar. As angústias viram nada, os medos se dissolvem, o passado vira história boa pra contar. Como um passe de mágica: A paz de estar em par.

Happy New Year, folks!




19 dezembro 2008

Antao & McCardell

O link já tinha entrado no lambe-lambe aqui do lado esquerdo, onde só recomendo sites de amigos.
Resolvi, então, publicar aqui o release do trabalho que meu amigo-irmão vem lapidando há um tempão, eis que na reta final do cabalístico ano 1, surge 2, o (nosso) tão esperado álbum.
Pronuncie na língua que quiser ou souber. O acesso é de todos e para todos, assim como as músicas, já disponíveis para download.

Conteúdo de internauta pode virar moeda de troca na web.

*
No site da banda, um conceito inusitado: disponibilizar o trabalho até odia 25 de dezembro, permitindo que o usuário faça o download integral e gratuito do álbum para presentear quantos amigos quiser antes do Reveillon 2009.
Na idéia criada por 2, número que dá nome ao duo, o internauta, sem pegarlongas filas nos shoppings ou sair de casa, oferece uma gentileza criada pelos compositores, de maneira moderna, rápida e ecológica.
São 10 músicas compostas em inglês pela dupla Rodrigo Antão & Pedro McCardell, brasileiros que viveram em Londres por 5 anos. Rodrigo é poeta, multi-instrumentista, e produtor musical. Pedro é poeta premiado e co-produtor do álbum.
A dupla assegura conduzir um projeto construído a partir de cativantes idéias melódicas, consolidadas por uma sofisticada poesia. O disco, independente e totalmente produzido por eles, está disponível na internetpara os amigos, e claro, para os amigos dos amigos.
Após o dia 25 de dezembro, o internauta poderá baixar as músicas do álbum, porém, com mais uma proposta criativa: como moeda de troca, quem quiser fazer o download das músicas deverá disponibilizar à dupla qualquer arquivo de autoria própria, seja um vídeo, uma foto, ou uma simples frase, material que alimentará o site durante 2009, criando uma interação com o público, que automaticamente torna-se parte integrante da banda.
O site, em inglês, é conceitual e auto-explicativo. É o impulso da não-venda imediata, da troca de conteúdo criativo, e da promoção da banda utilizando-se apenas da internet.

02 dezembro 2008



Tive um sonho interessante essa noite:

Algumas pessoas apareciam em minha frente e - com elas - eu tinha a opção de entrar em três fuscas diferentes: Um fusca era o Para Sempre, o outro era o Jamais e o outro o Por Agora.

Me apareceu o homem pelado do fim de semana. Entrei - ainda tremendo e a contragosto - no fusquinha Jamais.
Me apareceu o cliente mais complicado que estou atendendo. Cordialmente tivemos que entrar no Por Agora.

Apareceu meu amor sorrindo para mim. Demos as mãos, caminhamos calmamente. Ele abriu a porta, eu liguei o som. Tocava The ballad of John and Yoko. Foi dada a partida. Ele acelerou. Partimos juntos. Para Sempre.


27 novembro 2008

Uma Ju

Para quem ainda tem medo da entrega, para quem vive romances com o freio de mão puxado, para quem gosta do morno, para quem se dá sem se perder.


Uma Ju

Para quem tenta perpeturar aquilo que acabou, para quem tem se alimentado de migalhas, para quem abre a janela, mas esquece a porta trancada, para quem ainda sente a dor do antigo amor.






04 novembro 2008

Ando nervosa durante o horário comercial. Mudei de trabalho (thanks, God), mas trouxe um casaço acumulado do outro, um estado crônico de sapos entalados na garganta que fizeram meu pavio estar curto como nunca. Não é nada pessoal, mas é assim que eu ando e as coisas passam a me irritar mais do que o normal. Pessoas que se fazem de idiota para – assim - me fazerem de idiota é foda de administrar, mas não vou pegar esse problema pra mim, até porque acabei de passar por outro tipo bem pior.

Pela primeira vez fiz as contas de quantos dias faltam para minha tão esperada viagem (férias, férias!) e me arrependi, contar em maior escala era melhor. Mas até que pro Natal – que fica perto do reveillon – faltam só cinquenta e isso não é de todo mal. Sim, ainda existe otimismo por aqui! E é fato, os meses tão voando, os dias da semana também e os fins de semana, nossa, tão rápido que não vejo passar. Preciso sentir de novo a sensação de que trabalho pra viver. Aquele êxtase bahiano do começo do ano me encorajou para a jornada de trabalho anual e agora, na reta final, sinto como se estivesse nadando, nadando e morrendo na beira da praia.

É minha gente, dramatizar meu cansaço em algumas linhas até que me fez bem, enquanto isso o trânsito baixou e deu a hora do meu rodízio. O sol acaba de se pôr e agora é hora de tomar uma cervejinha, jantar com as amigas e, de quebra, dormir e acordar nos braços dele . Maravilha. Do jeito que eu gosto. Tudoaomesmotempoagora.



15 outubro 2008


PS: voltei a trabalhar com pc há dois dias e me sinto um pouco analfa. eu sei, vai passar. mas é que eu tenho um sério problema com arial-e-fundo-azul. eles me irritam, me intimidam, me bloqueiam, é empírico! por que tudo de automático no windows é sempre em arial-e-fundo-azul? quem disse que é essa merda é legal, hein? já sinto saudades do mac, da skia e dos fundos naturalmente brancos... e sim, sei que não é o fim do mundo, okay? vai passar... eu sei, vai passar.

18 setembro 2008

e se a gente se encontrasse depois do trabalho e se não tivesse nada programado e fizesse coisas sem pensar no dia seguinte e saísse andando pelas ruas do bairro até chegar no outro bairro e sentasse naquele bar que nunca sentamos e passasse horas bebendo e rindo e acariciando um ao outro como se ninguém observasse a nossa alegria que insiste em transbordar quando estamos a sós e que desenha com traços livres o sorriso mais bonito em mim e que brota em seu rosto o olhar mais terno que já vi e se saísse de lá a pé novamente e batesse naquela portinha que nunca batemos e dançasse nus ao som de nós dois como quando você me olhou e você me ergueu me chamando para você e pegou minhas mãos com todo o seu cuidado e me rodopiou com os pés descalços na areia cantando em meu ouvido as mais lindas melodias de toda doce vida que eu nem imaginava ter ao seu lado.

e se...

11 setembro 2008


“... pensar meu deus que porra é essa, como é que eu me meti nessa, como é que eu saio dessa, quem disse que eu quero sair dessa, esquecer isso tudo, derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e dormir uma dormidinha daquelas antes de começar tudo de novo. e de novo. e de novo e de novo, até ele perceber que não há saída senão se entregar e se entregar sabendo que tudo nos espera (...)”








clarah averbuck em nossa senhora da pequena morte



*music in the air: "i'm your man" - leonard cohen
imagem: ffffound


04 setembro 2008

*

Eu acho que todo mês tinha que ter uma festa (boa) de amigo. Faz bem pra saúde!

Depois de alguns anos juntos, se separaram por questões conjugais, não por ausência de amor. Enjaularam-se dentro de si, pincelando o orgulho e a decepção com cores pastéis, tons de melancolia armada e desarmada; noites geladas, manhãs frias, alma empedrada. Ele joga nela a responsabilidade de amá-lo por todo o sempre. Ela se esconde, porque o ama tanto aqui e agora que - sem ele - não enxerga um passo a frente.

Usam sua dor para compor belas e tristes melodias e mantêem entre si uma distância friamente calculada, para que a solidão - já derramada da jaula - possa por aí se espalhar, tornando o mundo mais cinza, refletindo o seu vazio. Temem um ao outro, abrem janelas e fecham portas, voltam sempre para o mesmíssimo lugar.


O dia de hoje amanheceu de olhos inchados, respiração congestionada, uma velha - mas não estranha - inquietação. As lágrimas que antes caíam em silêncio, hoje gritaram com o mesmo tom de voz de um ano atrás. Parece que o tempo congelou.

Há bem mais de doze meses duas pessoas se resistem dolorosamente. Infinita ou interrompida, triste ou feliz, essa é a história de amor que hoje me fisgou.

20 agosto 2008

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cazuza que me perdoe

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eu *tenho* a sorte de um amor tranquilo

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05 agosto 2008

Hamlet

"Se não for agora, não será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será em um momento qualquer. Estar pronto é tudo."

25 julho 2008

Estrela de Maio

Eu conheço poucas pessoas que seguem com um mesmo blog há tanto tempo. Na verdade, que eu me lembre agora, só eu e a Biba.
Tenho esse cantinho desde 2002 sem previsão de encerramento. Não uso condinome, vou do abstrato ao supérfluo e desinteressante sem almejar um buzz, apenas algum feedback daqueles que por ventura se identificam com o que lêem por aqui.
É interessante ter leitores assíduos que jamais conheci "na vida real". Sempre gostei de colher as impressões que eles têm de mim. Tem aqueles que passaram por aqui somente uma vez e disseram um "oi". Outros que se identificaram tanto com algum texto, que trouxeram outros visitantes. Tenho amigos que fazem do Estrela quase uma rotina: ligam o computador, entram no email pessoal, email de trabalho, site predileto de notícias e Estrela de Maio! Outros nunca decoram este endereço e sempre me perguntam "qual o seu blog mesmo?". Tem o namorado que entra vez em nunca e lê analiticamente os últimos posts... Tem os fuçadores, os passantes, os caça-imagens, os googlers e todos sempre foram muito bem vindos, igualmente.
Publicar "minha autobiografia sem fatos" há seis anos é como conseguir colocar no papel uma trajetória pela qual todos nós passamos: o crescer, o amadurecer. Gosto de ler coisas patéticas que saíram - e saem - de mim e acho bacana ter registrado alguns desabafos que muitas vezes só eu sei quais foram. As coisas aqui sempre foram catalogadas de uma forma mais - ou menos - óbvia do que dentro de mim e gosto de poder passar o olho pela minha história com a mesma facilidade de quem folheia páginas de uma revista qualquer.

Na verdade desatei a falar tudo isso porque perdi todos os meus comments. Fico triste porque eles sempre foram parte integrante do blog, o reflexo da minha emoção. Após três semanas de pane no sistema, resolvi aceitar e instalar um sistema novo. Uma parte disso tudo aqui vai, então, recomeçar!

08 julho 2008

24 junho 2008

é por isso que eu trabalho todos os dias

19 junho 2008

sobre a *ropy*



"eu não quero deixar ela morrer, ela é minha criação, só que hoje é como uma fantasia; eu tiro quando a festa acaba!!"

*roberta* também gosta mais do que é agora.

16 junho 2008



Domingo a noite

Chove lá fora

Zapeio Canais

- Meu amor deitado em meu peito -

Ponho-me a pensar

Sobre o que citou Fernanda Takai

E a criar verdades e artes

Sobre mim mesma



"Acho que sou feliz.
Eu quero tudo o que tenho, desejo o que posso e sou da minha idade. Será isso a tal felicidade?"

Climério Ferreira

04 junho 2008

You can laugh
A spineless laugh
We hope that your rules and wisdom choke you
Now we are one
In everlasting peace

*

exit music (for a film)
radiohead

09 maio 2008

(arte: gustav klimt)

eu percebi que não tem tido meio-termo. a vida toda hora tem colocado minha escolha a prova de bala, fogo, canhão.

vejo que aquela menina que sempre queria o que não tinha, mudou muito. eu colocava minhas conquistas a perder por um mero impulso egóico, por um simples desafio qualquer. julgava muito chulamente o que era bom pra mim e, é claro, não fui a única a pagar por isso.

tanta coisa errou...

amores voaram, tanto sentimento escorrido pelas minhas mãos como água corrente. contruí castelos invisíveis e destruí obras reais com a mesma facilidade e inocência e quase sempre anestesiei a dor.

minha intensidade sempre foi um tiro no pé. minhas festas, meus beijos, minhas transas eram sempre "mais legais" que dos outros pelo simples fato de eu não dosar energia pra nada. despenquei em queda livre algumas várias vezes pela frustração de fazer das coisas boas, passageiras e tudo se tornou
way of life
.

sempre pequei por agregar tanto fervor em tudo que vivi, mas só minha própria intensidade foi capaz de colocar as coisas no lugar. hoje tenho boas histórias pra contar (am i gump, mi?!). sinto um frio na barriga tremendo quando olho pra trás, mas tenho pouca saudade do que passou. nostalgia, talvez.

gosto mais do que sou agora.

me orgulha não mais desprezar minhas conquistas, não querer comer o prato do lado, ter aprendido a cuidar da minha casa, das minhas coisas, do meu dinheiro e - mais ainda - de mim. isso refletiu em tudo.

hoje vejo claramente pessoas no mesmo vício do erro e penso: é quase tudo uma questão de escolha. *agradeço pelas minhas*. some things really matter
to me.

25 abril 2008

feliz ano novo, meu amor.

é seu o meu melhor sorriso
e.very.day

24 abril 2008

*

o cd da semana se chama: in rainbows, radiohead
viciada².

04 abril 2008

"Eu acredito que, se existe algum tipo de Deus, não está em nenhum de nós. Nem em você ou em mim, mas num pequeno espaço no meio. Se existe algum tipo de mágica nesse mundo, deve estar na tentativa de entender alguém compartilhando alguma coisa. É quase impossível conseguir, mas quem se importa? A resposta está na tentativa".

(Ethan Hawke em "Antes do Amanhecer'')

27 março 2008

expira...



"tudo posso naquele que me fortalece"


foda-se picuinha...
e foda-se mesquinharia...

18 março 2008

Uma parte que não tinha



Hoje encerrei um ciclo.

Acho.

Não, encerrei.

Fechado.

17 março 2008

a thousand different versions of yourself
and they got no right



*
sleeping lessons
the shins

05 março 2008


*** copy and paste do dudi maia rosa

manhã, tarde, noite



será o momento ou a maturidade que cabe a ele, mas o mistério não instigou; nenhum deles têm instigado. o que poderia dar asas a todo universo aquariano, mais parece fincar os pés em terra, naquilo que se tem e não no que se sente. *e, afinal, qual é a diferença entre um e outro?*

"a vida é uma só". frase que, em situação peculiar, soou como um tiro no peito, de repente se torna a parte mais sincera e humana de mim agora.

uma vontade de deitar na minha diagonal agarrada aos quatro travesseiros da cama já não tão grande, de esperar o teatro mágico me acordar para o dia que em algumas horas vai raiar.


hoje acordei pensando em um apanhado de coisas, por si só, tão satisfatórias... nos pequenos afazeres... nas grandes abstrações.
o almoço - pra lá de saboroso - não trouxe sono na manicure, nem preguiça às quartorze e dez, quando voltei pra agência.
a tarde passou rápida, cheia de trabalho, música boa e pequenas revelações.
o jantar foi leve, acompanhado de serramalte gelada numa noite especialmente quente. excelente companhia, voltei pra casa me sentindo - novamente - maior.

o quê posso querer mais, além da liberdade de me sentir feliz?

já tarde, em seu timing, a mensagem de boa noite. uma fraterna vontade de replicá-la ao planeta terra, desejando a tudo e a todos a melhor noite do mundo.

*

e que venha o próximo dia: cheinho de novidades - como todos os novos dias são -, com cheiro de lavanda, de banho tomado... acompanhado pela minha melhor trilha... ainda que não seja a paisagem sonora do mundo real.

04 março 2008

a música da semana se chama: golden cage, the whitest boy alive

So you no longer care if there's another day
I guess I have been there, I guess I am there now
You knew what you wanted and you fought so hard
Just to find yourself sitting in a golden cage

In a golden cage

So of course I miss you and miss you bad
But I also felt this way when I was still with you
Yes of course I miss you and miss you bad
But I also felt this way when I was still with you

This city's no longer mine

There's sadness written on every corner
Each lover was made to sign
Now I hear them calling me over and over

19 fevereiro 2008

*

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora


*paulo leminski

12 fevereiro 2008

*

Para que não doa, apenas olha.
E não dói.

06 fevereiro 2008

Voltou de viagem roendo as unhas – como não é de costume .Talvez estivesse ansiosa depois de tantos dias de calmaria e paz. Se confundia toda quando olhava para dentro de si e encontrava dois nomes tão distintos, que ora se misturavam, ora se distinguiam, ora faziam sentido, ora sentido algum. Almoçou com a grande amiga, fez alguns telefonemas, acendeu um, dois cigarros procurando inspiração pelos cantos do quarto. Deitou de olhos bem fechados agarrada ao travesseiro favorito num misto de frio e calor. Alguns presságios… Viagem, lucidez, afirmação, desconstrução. Talvez fosse melhor dar um tempo para si. (?)

ilustração: sara mello

30 janeiro 2008

17 janeiro 2008

Ainda na fase de citações...


**
Se te pareço noturna e imperfeita

Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

**

Tenha confiança. Conte com as circunstâncias, que também são fadas. Conte mais com o imprevisto. O imprevisto é uma espécie de deus avulso.

Machado de Assis


**

15 janeiro 2008

Sol, Vênus.

Quando o destino lhes trouxer tristezas ou tragédia, nenhum deles falhará no teste da lealdade, e isto pode ser a canção mais duradoura do amor - com ou sem música de fundo.

14 janeiro 2008

*

seja sempre leve, nunca pesado demais.

elis

11 janeiro 2008

Last night what we talked about
It made so much sense
But now the haze has ascended
It don't make no sense anymore

(from the ritz to the rubble, arctic monkeys)

On the road

"... gosto de muitas coisas ao mesmo tempo, e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de um destino falido para outro, até desistir. Assim é a noite, é isso o que ela faz com você; eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão".

JACK KEROUAC

10 dezembro 2007

.

ela não sabia o quão importante seria voltar a ocupar toda a cama na hora do sono. desta vez foi leve e doce. por duas manhãs acordou na diagonal.


07 dezembro 2007

**

Dr. Curtis McCabe: And you didn't immediately wanna sleep with her?
David: Well, you know, I'm a pleasure delayer.

* Vanilla Sky

05 dezembro 2007

sem mais, my Romeo.


... o repertório do que se sente é o mesmo, mas cada casal tem o seu tapete mágico que nos leva sem roupa para uma eterna gratidão aos deuses, por ter deixado eu brigar, para depois fazer sexo de reconciliação e morder tanto aquela boca.... com os olhos muito fechados................
se a gente vai voltar não se sabe, mas foi lindo dizer à flor da pele o quão ela é a mulher que eu amo...

03 dezembro 2007

`as vezes demora pra discernir
`as vezes coloca os pés no chão
`as vezes se joga sem medo
`as vezes mete os pés pelas mãos


`as vezes


`as vezes paixão
`as vezes tesão


`as vezes
`as vezes é bom

26 novembro 2007

21 novembro 2007

que belo e estranho dia pra se ter alegria!

"Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos." CL

19 novembro 2007

08 novembro 2007

deu um trago. o vento da chuva desviou a fumaça. frio na barriga na escada de aço vermelha molhada. bem estar. mal estar. sossego. inquietude.

.

voltou a trabalhar.

06 novembro 2007

Não pude


Como uma não-virginiana que sou, eu nunca soube listar coisas. Sei fazer lista de afazeres inúteis e palpáveis, mas nunca consegui seguir uma à risca. Nunca entrei num supermercado e obedeci a singela listinha que a empregada me fez. Não sinto que tenho o poder de manter a prioridade das coisas, nem a pretensão de alcançar todas elas. Uma palavra entre uma linha e outra torna-se um adorno facilmente em minhas mãos.
Descobri que a lista da minha vida é um grande emaranhado de sentimentos impressos em diferentes cores, sentidos e emoções que não necessariamente têm ordem, porto de chegada, prazo ou hora para se alcançar. Junto traços de um desenho abstrato a meras impressões soltas em palavras com mais lógica do que qualquer coisa que eu consiga enumerar.
Gosto do que é lúdico, sei de tudo o que almejo e crio artifícios - nunca atalhos - que me levam até lá. Artifícios porque gosto de brincar de ir e vir no tempo, gosto da mágica de contagiar pessoas e de me deixar contagiar por elas. Os atalhos não me permitem aprofundar. Gosto do descompromisso quando é compromissado, de inventar e colorir as coisas e, assim, dar destaque a elas. Utilizo conjunções, adjetivos e preposições para tornar as palavras atemporais. Nada disso caberia numa lista. Aqui dentro é sempre história e poesia.
Quando deito e fecho os olhos minhas mãos se enchem ao tocar meu seio esquerdo. Sonho com qualquer coisa que me mantenha alimentada na manhã corrida do dia seguinte. Com as pontas dos meus dedos inverto o curso das coisas, o tom das melodias, o rosto das palavras. Transformo a surpresa de tudo o que é agora e finjo não querer saber o que há de ser.
Faço música com o silêncio, rabisco papéis em branco. Eu bem que tentei, mas não pude seguir o seu conselho. Não agora. Por ora não dá.

A melhor mulher que você já desperdiçou



Alice A. tinha peitos de índia e uma sensibilidade pernóstica de tão curiosa nos ombros morenos. Guardava o hábito lascivo de apertar os amores entre as pernas, como se pretendesse esmagá-los sobre o próprio ventre. Gostava das marcas e da expressão "roxa de paixão". Gostava de desenhar contornos com a língua e de provocações ao pé do ouvido. Gostava de sentir o peso e trepava de olhos abertos; tinha prazer em observar. Expressões, movimentos, pupilas dilatadas, pelos eriçados, contornos. O antes, o durante, o depois. Sorria. Naquela noite, deteve-se no depois. Fingiu dormir e, quando sentiu sobre o peito a outra respiração do terceiro sono, levantou. Sentada ao pé da cama com as pernas cruzadas como a de uma menina de tranças, acendeu um dos cigarros franceses que ele lhe trouxera de presente e observou. Observou com um cuidado cirúrgico cada milímetro de pele exposta sob a luz do abajur que ela tanto gostava. Guardou com cuidado o desenho das costas e o tamanho das mãos. Quis fotografá-lo; indefeso, belo. Como o achava belo. Sabia, de algum jeito, que jamais acharia alguém assim tão belo. Nem sob a luz daquele abajur, que ela adorava tanto, nem sob qualquer outra luz. Com a Polaroid dele e o cigarro pendurado na boca, imitando para si mesma uma daquelas atrizes francesas dos filmes que ele tanto admirava, fotografou. A foto que seria para sempre, enquanto ela se lembrasse, a foto mais bonita que havia feito na vida. Estava séria. Vestiu-se com o cigarro francês, que era o presente, ainda pendurado, e escreveu na parede com aquele lápis vermelho de marcenaria:
“Querido, se você quer uma mulher capaz de subir com você em um fusca verde para qualquer lugar do mundo com uma mochila e um mapa e que ouça Billie Holliday enquanto cozinha; se você quer uma mulher que escreva cartas de amor, que tire fotos de amor, que rasgue roupas de amor, que chore e grite de amor e que viva de amor. Se você quer uma mulher que não tem noção ‘do quanto’ e que por isso não tem restrições sobre quando ou onde; se você quer uma mulher que sangra, que cheira, que morde, que explode, que aguenta; uma mulher com força o bastante, vontade o bastante, coragem o bastante, imaginação o bastante, loucura o bastante, doçura o bastante, atrevimento o bastante, saliva o bastante e poesia demais; querido... se você quer uma mulher capaz de fugir pra qualquer lugar do mundo, sozinha, num fusca verde, com uma mala, uma foto e um mapa, querido, meu querido, você vai ter que me conquistar primeiro.” Apagou o cigarro, o abajur. A mala já estava pronta. Sorria.




pérola encontrada por aí

29 outubro 2007

she's got the power

de preferência ao vivo, de olhos bem abertos, envolta por uma acústica perfeita:
música da semana: metal heart, cat power.

25 outubro 2007

ontém

palavras de um amigo:

"sabe, mãe... quanto mais o tempo passa, mais eu tenho convicção de que não vou abrir mão da minha felicidade. por nada."

simples, quase redundante e muito inspirador.

19 outubro 2007

Como pode uma sexta-feira chuvosa
mandar todas aquelas convicções para o ralo?

17 outubro 2007

Waking life

Anseio e frustração. É daí que eu acho que veio a linguagem. Quero dizer, veio do desejo de transcender o nosso isolamento e estabelecer ligações uns com os outros. Devia ser mais fácil quando era uma questão de mera sobrevivência.


Eu digo "água". Criamos um som para isso. "Tigre atrás de você". Criamos um som para isso. Mas fica realmente interessante, acredito eu, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar tudo de abstrato e intangível que vivenciamos. O quê é frustração? O quê é "raiva" ou "amor"?


Quando eu digo "amor" o som sai da minha boca e atinge o ouvido de outra pessoa, viaja por um canal labiríntico em seu cérebro através das memórias de amor - ou falta de amor. O outro pode até dizer que compreende, mas como eu sei disso? As palavras são inertes, são apenas símbolos, estão mortas! E tanto da nossa experiência é intangível. Tanto do que percebemos é inexprimível, é indizível. E ainda assim, quando nos comunicamos uns com os outros e sentimos ter feito uma ligação e termos sido compreendidos, temos uma sensação quase como uma comunhão espiritual. Essa sensação pode ser transitória, mas é para isso que vivemos.


(transcrição de diálogo do filme waking life, richard linklater)

08 outubro 2007


te daria mi vida, pero la estoy usando.

*foto: giulianna ronna

02 outubro 2007

a música da semana chama-se Ali In The Jungle, The Hours

28 agosto 2007



Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e
te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és...

CAIO FERNANDO ABREU

20 agosto 2007

Mudança

A mulher, seus erros, seu jeito de rir, seu eterno sono de manhã, sua intolerância, seus medos, suas viagens, seu melhor amigo, seu namorado, suas visitas, sua allegria sem motivo, sua lucidez, sua solidão, sua comoção súbita por tudo isso. Em breve, esse pequeno mundo será transferido para outro ponto da cidade que, ocupada demais, nem perceberá.
Tento lembrar das expectativas que trouxe quando me mudei para cá e no que levo agora. Talvez aportar sem expectativas seja a lição, se é que há uma lição. Muita coisa vai ficar. Muita coisa será doada. Quero partir mais leve do que cheguei. Deixar espaço para o espaço na casa nova e em mim.
Penso no que nos espera. Torço pelo que nos espera. Olho os sonhos varridos e acumulados no canto do quarto. Meu deus, como estou cansada de me mudar.

(autor desconhecido)

19 agosto 2007


Faço da sua, a minha dúvida.

14 agosto 2007

it's not advertising

*

anfitrião:

- aquela é a manoela. ela é art buyer da dentsu.

amigo do anfitrião:

- nigthbiker de onde?

amiga do anfitrião:
- não, de a-ti-bai-a!

*

13 agosto 2007


como se uma mão invisível
tivesse tirado
a angústia de lá de dentro

como se existisse um remédio contra a dor

05 agosto 2007

time to change, to change the meaning of being here, walking along every day and breathing the same pale blue air. i'm going, babes. it's just a matter of time. wake up to life, even late than too late.
i just don't know what to say to make a sunny day. and when i'm all alone, i feel i don't wanna hide.

02 agosto 2007

tudo o que eu queria era um abraço do meu avô. agora.

30 julho 2007

“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais, etc. etc. Mas eu disse ‘momentos’ e não as 24 horas de cada dia. Quando uma mulher que se apaixona se queixa, eu tenho vontade de fazer-lhe esta pergunta: ‘Não lhe basta amar? Você quer, ainda por cima, ser feliz?.’ Pois o destino, quando concede a graça inefável do amor, subtrai uma série de outras coisas. (...) A intensidade do amor é, por si mesma, trágica."

Nelson Rodrigues

27 julho 2007

If he were a song
He'd be a complicated melody
That complicated fellow he
I almost can not sing it on key






India.Arie


o silêncio jamais constrangera. nunca soube o que os ligara assim tão de imediato, fazendo de cada novo momento uma nova escolha, desafios tão facilmente relevados nas doces entregas do dia a dia que os carregara até lá. expressões de encanto nos olhos, o tom quase sempre baixo da voz, as lentas garfadas nos jantares a dois, as mãos que por vezes taparam os rostos quando, ingênuos e despercebidos, falavam puramente de amor. nas madrugadas, vazios tão rapidamente preenchidos, pois fizera dos dias pura e simples calmaria.
no vácuo do pensamento, no encaixe perfeito, em profundo sentimento, dissera 'eu te amo' como quem fala em cuidar. mãos e joelhos, braços e coxas, pés e pescoços em novas formas de abraçar. solenes os dias, as noites e as madrugadas floridas na cama de amor.
viera o curto tempo, o vento, mais dias, mais noites e tantas outras madrugadas ferventes e frias. se fizera distante. conseguira ver, mas não construira. preenchera o silêncio de vazio, tão vazio fizera este silêncio. não falara de amor, não falara de vida.


20 julho 2007

"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo 'clima', certa 'preparação'. Certa 'grandeza'.

Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo 'eterno') cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe - e da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte - pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) - nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade."

Caio Fernando Abreu
- alô? pai? eu quebrei o pau.
- eu já falei pra você parar com isso, meu filho...
- não, pai, quebrei o meu pau.

18 julho 2007

_um pouco clarice, um pouco caio, um pouco manu. não no modo de escrever; no de pensar. não é manu, nem clarice, nem caio. é gi, e caiu como uma luva.
enquanto penso, não sei se sinto, fujo sem sair do lugar. aperto e sufoco, solto e não liberto, monitoro. leio sete linhas sem pausas e vírgulas, me acalmo:
_ nem tudo está perdido pensei o caminho sem a gente perceber é a parte mais linda da viagem. aquela aflição que bate de vez em quando angústia é mais que parte importante do jogo e é quem abre portas. quando andando com medo da incerteza de tudo pisca os olhos rapidinho pra ver se está mesmo acordada se é assim mesmo tudo em desordem dentro e fora. e é. pisca de novo aí já só pra relaxar as pálpebras que sabem que não tem como fugir do que é real.

sobre uma só pessoa:

"eu amo muito esse muleque. o que eu odeio é o homem que há nele."


17 julho 2007

online_out of line

she says:
sera que ela descobriu que ele só tá com ela por causa da doença da avó?
(...)
she says:
eu não gosto dela. as pessoas tem que saber quando são feias.
(...)
she says:
meu, ela descobriu, certeza!
i say:
*&^%fb&^^)(*&)(&(*JTDTR^&^*$^%$^%
hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha
*&^%(&**^()*JHVYDTR&%*&YH(*&*B&(F

16 julho 2007

New Beginning

Segunda-feira chuvosa e cheia de prosperidade.
Thanks Life for the oportunity ;)



Now don't get me wrong - I love life and living
But when you wake up and look around at everything thats going down

All wrong
You see we need to change it now, this world with too few happy endings

We can resolve to start all over make a new beginning


Start all over . . . . . . . . .
.

.

.

New Beginning - Tracy Chapman

13 julho 2007

29 junho 2007

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante.
Lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

Caio F. Abreu




26 junho 2007

A Praia



Mesmo que demore
Quero a emoção da conquista
pouco a pouco
pra nunca acabar

Mesmo que demore
Pode ser infinito
muito mais que sonhar

Mesmo que demore
quero desaguar na praia
me deliciar com teus pudores
com teu cheiro profundo
com tuas entranhas

Mesmo que demore
quero a paciência, a dormência, a demência

Mesmo que demore
de mim terás tudo
Doce melado escarrado
perdido delinquentemente seu

Mesmo que demore
quero a manhã do dia seguinte
o braço dormente
a chaleira apitando
a luz do sol no teu bronzeado
aquele sorriso...

Mesmo que demore
te olhar em pêlo
eu desejo
Tirar um téco
e te amar
sem parar, te amar, te amar...

Mesmo que demore
no coração fica mesmo
A lembrança do teu balançado
doçura divina

Mesmo que demore
terei certeza de ter te querido pra sempre

POR GIANCARLO MASTROBUONO

19 junho 2007

Foi sexta

Palavras confortantes da Roxa, querida, soulmate:

(...) sexta-feira foi dia de lua nova, fase de limpar, purificar, renovar. Na lua nova predomina a escuridão no céu... há uma diminuição do campo magnético... um vazio... prevalece o instinto e a consciência que ainda não foi despertada. Na escuridão da lua negra podemos contemplar os nossos objetivos mais elevados e abrir o espaço para que o destino possa agir. É preciso renovar as energias, preparando-nos para um novo ciclo.

Enfim, foi.

18 junho 2007

14 junho 2007

amigo-lhes,

qual a probabilidade de vc - dentro do carro em movimento - sair clicando a praia de ipanema que nem uma turista louca e captar nitidamente seus amigos, também turistas loucos, sem perceber?

a probabilidade eu não sei, só sei que me encaixo nela.
encontrar, encontrar, não nos encontramos, mas agora sei meeeesssssmo: vocês estavam lá!

simplesmente incrivel. é isso que eu chamo de sincronismo. o perfeito sincronismo do acaso.


12 junho 2007

03 junho 2007

do it

assista emma's bliss
assista emma's bliss
assista emma's bliss

excelente
excelente
excelente ;)

01 junho 2007

todo és una ilusión. escuche.

por favor:

coloque o fone.

aumente o volume no máximo.

VEJA o som, clicando aqui:

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"silenzio, no hay banda. no hay orquestra. todo és una gravación..."

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28 maio 2007

e caio sempre me inspirando...

"Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."

*

"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."

*

"Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo."

**caio fernando abreu, caio fernando abreu, caio fernando abreu.




prefiro sempre acreditar que ele - sim, o caio - viveu as mesmas coisas que eu, ainda que cada um ao seu modo. me perco e me encontro dentro dessas íntimas prosas e, entre segredos passados, mágoas disfarçadas e eternos presentes, me sinto feliz, muito, muito feliz.

*

música da semana: "be thankful for what you got", sampled.

21 maio 2007

entre. sintaxe a vontade.



"a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto ou indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas é aposto
(...)
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não



façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
mas sejamos também o anúncio da contra-capa
porque ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo
e negar a si mesmo
é muitas vezes, encontrar-se com Deus
com o teu Deus
(...)



sem horas e sem dores
que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...
tem horas que a gente se pergunta
por que é que não se junta
tudo numa coisa só? "

***
Letra? O Teatro Magico, lógico.

Motivo?
Essa foi a única forma que encontrei de agradecer todas as pessoas especiais da minha vida e a energia vital que elas me trazem. Thanks, God. I'm pretty blessed.