19 outubro 2010

*

Deserve... and then, Desire.

David Lynch

18 outubro 2010


Cheguei do casamento mais feliz da vida, a casa quieta, escura. A rua ainda gritava os ruídos da noite, mas dentro de casa era silêncio. Só.
Me despi do vestido que especialmente costurei para a ocasião.Tirei os grampos do cabelo, a maquiagem, me perfumei.
Ouvi novamente o silêncio, me lembrei de você. Pensei que talvez fosse bom ainda te ter por aqui, mas depois pensei que estava bom assim. Aí pensei que me acostumei com sua ausência. Ela já não dói tanto. Me acostumei com o barulho aqui dentro de mim.
O tempo é fabuloso. 
Sem mais.


27 setembro 2010

24 setembro 2010


I love you, but one or both of us is/are fictional.

Kim Addonizio


22 setembro 2010

Setembro, 2007


eu descobri que te amo. claro que eu já tinha te dito isso, mas agora eu descobri que amo. de verdade.

as últimas semanas foram difíceis para mim. quis me distanciar por achar que eu conseguiria me livrar da angústia que me sufocava e percebi que uma nova angústia pairou aqui dentro. a angústia de não sentir seu cheiro, de não tocar tua pele, de fechar os olhos todas as noites sabendo que não estava ali para me olhar. a angústia de não saber por onde e com quem andava, se sonhava comigo, se sentia falta do meu beijo, do meu toque, da minha voz.

nestes dias sombrios meus sonhos foram cheios de você, do seu sorriso, da sua cara de medo que às vezes faz, da sua feição de afeto por me ter ao seu lado, do seu sorriso melódico cantando beatles. dos seus braços me envolvendo para dançar aquela música na sua cabeça, da sua cara de tesão tentando me acordar. queria sentir seu rosto colado ao meu, sua respiração quase muda morrendo de prazer na cama. nossa, que saudade de nós na cama... não pensei que fosse dificil não encarnar a namorada neurótica de todas as manhãs, não ensaboar meu pinto na hora do banho, não passar meu creme no seu rosto antes do trabalho. queria saber qual era a cor da sua gravata, se já tinha cortado o cabelo de novo, o quão estaria feliz com a vitória do são paulo e com quem estaria bebendo para comemorar. queria saber se eu estava na sua cabeça quando conversava com alguém na balada, se havia escolhido sair com aquela camiseta porque foi eu quem te deu. se chegava em casa bêbado, dirigindo, acompanhado ou não. se os dias do fim de semana eram ainda cheios de trabalho e quem procuraria para contar como foi. se estava visitando os decorados e, quando o fazia, se lembrava de nós dois. pensei no cheirinho do seu carro novo, na música que tocaria no disc man, se meus cds estavam de lado, se sentia falta do seu case na minha casa. pensei na sua camisa branca, cueca, jeans, no tenis azul, nos filmes que ficaram por aqui. no whisky que abrimos juntos, na pizza congelada que comprei para você, no presentinho que ainda não te dei.

se sua nova rotina estaria deixando para trás a nossa vidinha tão comum e especial. se seus amigos perguntavam de mim, se você dizia que tinhamos terminado. me perguntava que nova vida estaria procurando para você. se sentia vontade de beijar outro alguém, se se despiu para alguma outra mulher, se procurou alguém do passado pra curar a dor, se olhou para alguém pensando em um novo futuro para você.

se pensou em mim, com quem eu estava, que calcinha eu usava, se com alguém eu transava. se passou em frente ao meu trabalho e teve frio na barriga. quantas vezes pegou o celular para me ligar e não o fez. se contou para sua familia que estava sem mim, se releu minha carta, se procurou nossas fotos, se procurou saber de mim. pensei nisso tudo. aí pensei que te amo. pensei que quero viver com você acima de qualquer outro sentimento que possa haver em mim neste momento.

nos encontramos rapidamente duas vezes, estes encontros que a vida nos prega sem a gente entender por quê. tive frio na barriga, pensei incessantemente em você. mais dias e noites foram passando e me acostumar com o vazio passou a me incomodar. algumas lembranças fugiam, um medo de esquecer sabendo que se está esquecendo. um medo de ter de volta e não saber o que fazer. um medo da distância que se estabeleceu entre nós.

dos mundos um tanto já distintos, uma mensagem de madrugada. uma, duas, três ligações logo em seguida. sua voz dizendo que queria me ver. te esperar cinco infinitos minutos na "nossa casa'', ouvir seu carro chegando, a campainha tocando. fui até você. já não era rotina, mas era bom. você estava fantasiado, parecia um menino. seu sorriso lindo, doce. seu jeito de me olhar como mulher. te coloquei em minha casa novamente. sentamos, nos olhamos, bebemos, fumamos. cantamos, dançamos, nos sentimos. rimos muito, estavamos felizes e despreocupados. você me despiu, eu te despi loucamente. continuamos dançando nus sob a penumbra da noite, das luzes coloridas da casa, das músicas de nós dois. senti seu coração bater no meu peito, sua respiração no meu colo, seu braços em minha cintura livre, seu corpo novamente junto ao meu. nus. você não queria dormir, queria emendar o ontém e o amanhã. eu quis fazer deste o nosso infinito momento. falamos em recomeçar.

fizemos amor como se fosse a primeira ou a última vez. acordamos felizes, unidos, satisfeitos e insaciáveis. nos despedimos como dois adolescentes, pensamos um no outro ao longo do dia. veio o domingo cheio de trabalho, a falta que você me fez. seu telefonema de madrugada, noite de muito sono, segunda-feira, sentimento de amor.

o que sinto é amor, meu amor. o que sinto é que estamos aqui de novo e que não sabemos para onde vamos. sei que te quero e sei como. sei que me quer, mas não sabe como. cada contato mostra infinitas possibilidades. não sei o dia de amanhã, nem o depois. sei que te amo, sei que agora não me engano. tudo novo. tudo novo de novo.

20 setembro 2010



(...)

A vida segue, o belo é que nós não somos descartáveis. Há alguém muito perto do outro, que olha, que observa. Faz sorrir. E há alguém que está, mesmo sem ser, como se não precisasse, imperceptível.

Tenho um jeito meio desajeitado de dizer as coisas, meio prolixo, meio cheio de curvas, um jeito tão sem precisão que me faz ter vergonha de fazê-lo. Não: decidi não sentir vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.

E essa madrugada? Eu, sinceramente, acho que o tempo vai fazer eu me esquecer de você e você se esquecer de mim. Por isso, escrevi isso. Para deixar registrado.

Eu me sinto melhor com tua presença. Aí. Aqui. Acima das nossas cabeças.

Fique feliz, fique bem feliz, fique claro. Queira ser feliz. Te envio as melhores vibrações.

Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas, que seja bom o que vier: para mim, para você.

Te escrevo isso por absoluta necessidade de sinceridade. Hoje tem noite e amanhã tem sol.

- Me queira bem.

30 agosto 2010

Euforismo, Histeria. Realidade e Ficção.

(...) Além disso, a desgastante alegria de Jude tinha um toque esquisito de histeria. Se a gente inclinasse apenas meio ouvido para seu discurso alvoroçado, ficava dificil dizer se ela estava rindo ou chorando. E isso apesar de ela rir muito, inclusive durante quase toda a extensão de suas frases, tornando a voz mais aguda à medida que se impelia para uma hilaridade em crescente aceleração, quando nada do que dizia era engraçado. Era um riso compulsivo, deflectivo, mais nascido dos nervos do que do humor, um recurso de mascaramento e, portanto, meio desonesto.


Lionel Shriver em "O mundo pós-aniversário"

24 agosto 2010

por enquanto meu esforço está em mim.

19 julho 2010

Eu, Eu Mesma e Manu


Eu não tenho escrito por alguns motivos. Falta de tempo, preguiça, falta de abstração e - para finalizar - pura falta de inspiração. Ela foi passear há alguns meses atrás e agora começou a voltar. Aos poucos.

Voltei a fotografar, isso é bem bom. Voltei a baixar músicas novas, fazer playlists, me vestir de forma um pouco mais divertida. Dei um tapa aqui e ali em casa, em detalhes que quase só eu sei. Tenho conseguido repousar ao invés de me atropelar em dias e noites por aí. Tenho tido um pouco de insônia, às vezes sonhado com trabalho, mas até que tenho dormido bem. Aliás, o trabalho tem sido bem importante. Produzir dez comerciais ao mesmo tempo exigiu uma versatilidade que fez eu me sentir fodona quando precisei olhar no espelho e procurar um quê para me orgulhar. Tem a academia também, que mesmo com os dez filmes e sem a inspiração, permaneceu super presente na rotina. Tem a dispensa e a geladeira só com produtos orgânicos. Tem os cineminhas e os jantares felizes toda semana. Tem a leveza do não fazer nada por obrigação.

Tem um Eu quase egoísta que - de tanto doar ao outro, resolveu doar a si. Tem eu desenterrando Eu Mesma: meu afeto, minha coragem, os valores que guardei para mim. Ainda não sei como serão os próximos meses dentro e fora daqui, mas todo medo se dilui quando o que me importa é o agora: uma Manu em profunda transformação.

28 abril 2010

“Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiências, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo, desânimos, esforços. Dela me prezo, sem vangloriar-me. Surpreendo-me, porém, um tanto à-parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ignoram.”

O Espelho, Guimarães Rosa



06 abril 2010

Que bonitinhos...



Strangers, waiting, up and down the boulevard
Their shadows searching in the night
Streetlight people, living just to find emotion
Hiding somewhere in the night

29 março 2010




Don't make decisions when you're angry. Don't make promises when you're happy.

*

#sabedoria

18 fevereiro 2010

quinta-feira de cinzas.

11 fevereiro 2010

catarse

ca.tar.se sf (gr kátharsis)
1 Purgação. 2 Purificação. 3 Psicol e Med Método de purificação mental que consiste em revocar à consciência os estados afetivos recalcados, para aliviar o doente dos desarranjos físicos e mentais oriundos do recalcamento.




Eu tinha para mim que catarse era o espelho das dores, alegrias ou quaisquer emoções; a ação de expressar emoção a partir da emoção do outro. Doação? Comoção? Sim, mais ou menos por aí. Eis que consultei o dicionário e percebi que a avalanche do que sinto agora - através do outro - pôde, então, ser perfeitamente resumida em apenas três sílabas; percebi que o seu mundo cinza escuro também reside dentro de mim. 

Acredite, sinto a tamanha dor do seu desconforto com o mundo, anjo meu. E dedico esse texto - o meu preferido do Pessoa - a você, somente a você: 

"Não sei sentir, não sei ser humano, não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens, meus irmãos na Terra. Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido. Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo. Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri. Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos e fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse. Amei e odiei como toda a gente. Mas para toda gente isso foi normal e institivo. Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Não sei se sinto demais ou de menos. Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."
"Passagem das Horas", Álvaro de Campos

26 janeiro 2010

O "estar sozinho"


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.


A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz, o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.


Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

Flávio Gikovate

20 janeiro 2010

Nosso maior inimigo é a nossa falta de humor.

06 janeiro 2010

2010

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos.


Fernando Pessoa

16 dezembro 2009

Fim de ano é época de balanço


Passei algumas semanas bem chatinha com a vida e fiz uma retrospectiva ultra-particular para conseguir enxergar as coisas menos dramáticas e, assim, mais claras. Foi muito bom para eu sair da atmosfera down, super recomendo a todos nós mortais.
É claro que a versão original (e pra lá de profunda) não será postada aqui, mas gostaria de registrar alguns acontecimentos singelos e marcantes de 2009. Este em que eu assoprei a velinha dos 28 anos. Este que foi estranho, mas com um upgrade de auto-conhecimento, aprendizado e muito, muito amor.


- As infinitas horas a dois em Parati
- Olhar a Torre Eifel pela primeira vez
- A lamentável cena de preconceito contra nós num bistrô em Paris (mas demos muita risada e terminamos a noite em um lugar infinitamente melhor)
- A gargalhada-sem-controle digna de vergonha alheia no elevador do hotel em Amsterdam
- A enxurrada de lágrimas de risada (e o videozinho que a comprova) no cofee shop verde em Amsterdam
- O "eu te amo mais"
- O show do Radiohead
- A noite de páscoa com a familia do Gui
- A Mi ficando "Anos 70"
- Eu e Enrico com cinco anos de idade na Neu
- Voltar a trabalhar com o Tharso
- Conviver diariamente com Sarah e Flavio
- O jantar de amigos regado a 12 garrafas de vinho no Pasquale
- Minha pequena-grande Beleléu
- Ganhar o Felipe de afilhado
- Conseguir o apê que tanto queríamos
- Morar com o Gui
- Nosso novo sofá
- Resgatar meus relatórios de pequena da escola
- Ver o Romeuzinho abrindo um novo bar
- "Take Five" no rádio, no lugar certo e na hora certa
- Fotografar com minha canon-xodó sem parar
- Dizer adeus aos últimos anos de sedentarismo
- Sair - e me estragar - tão menos
- "Elephant Gun" do Beirut
- Deixar a preguiça de lado e me dispor a resolver algumas pendências do passado
- Falar a verdade-doída tantas vezes
- Conseguir dizer "não" tantas outras
- Pintar minhas unhas de Marina
- Contar os dias para o Natal e Reveillon na bela e mágica Bahia (de todos os santos)

28 novembro 2009


"A imagem poética me salva do planeta.
E o planeta?
Ele retorna em mim entre delicadezas e nuances. Tênue e colorido.
Eu o construo com as minhas memórias.
Ninguém vive daquilo que é.
Viver é fictício."

10 novembro 2009

é muito maluco analisar o comportamento das pessoas quando dinheiro está envolvido. se você não ainda não teve a experiência de uma "crise" de grana com um amigo seu, provavelmente não o conhece muito bem.
na real eu já fui assim, de tentar me esquivar quando o papo era colocar a mão no bolso por algum imprevisto. isso gerou algumas discussões com amigos e sempre foi muito doloroso admitir que sim, esse tipo de reação as vezes saía de mim. e como o primeiro passo é sempre admitir o erro, comecei, então, a me observar.
o primeiro ponto é que eu realmente não tinha grana. saí de casa cedo, desempregada, quando voltei a trabalhar ganhava mal pra cacete e o maior problema é que eu estava vivendo uma vida que não cabia no meu bolso, mas sim no bolso de alguns amigos meus. qualquer coisa que saía um pouco dos planos eu já não tinha como arcar e ao invés de procurar ser humilde, eu me esquivava. por orgulho. por imaturidade. por vergonha, talvez.
comecei aos poucos a viver a vida que eu male male conseguia bancar, mas trazer os pés pro chão foi o primeiro passo para eu começar a me erguer pessoal, financeira e profissionalmente. com um tempo meus amigos espontaneamente reconheceram essa mudança que (secretamente) impus a mim e passei a dormir minhas noites em paz.
hoje não suporto ver mesquinharia. ainda mais porque os 21 anos ficaram bem pra trás e pouquissimas pessoas que conheço vivem num perrengue que justifique esse tipo de postura.
com um tempo a gente aprende que dinheiro não é tudo meeesmo. ele não compra suas verdadeiras amizades, não compra um estilo de vida decente e muito menos o respeito das pessoas por você. mais cedo ou mais tarde todo mundo aprende isso, pena que as vezes é preciso quebrar a cara para isso acontecer.

05 novembro 2009

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

Trecho do livro "Carta a D.", de André Gorz

16 outubro 2009

e a teoria do tharso só se confirma: TODO HOMEM É BOBO E TODA MULHER É CHATA.

15 outubro 2009

clarah averbuck casou.
destaque para os votos, numa singela e deliciosa carta de amor.

ah, o amor!

13 outubro 2009


Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso
Jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros

Eu deixo e recebo um tanto
Passo aos olhos nus

Novos Baianos

12 outubro 2009

E a saudade do Rio só aumenta

O que eu fiz nesse feriado? Passei mais de 12 horas no aeroporto... e não embarquei.
Nossa viagem ao Rio deliciosamente programada há mais de um mês com Sarah e Leo, casal carioca mais que querido, micou por completo.
Sarah embarcou na sexta de manhã (o que não sei se foi sorte ou azar), Manu, Gui e Léo deixaram pra ir a noite. Entre atrasos e reagendamentos do vôo, a mala do Gui embarcou para algum destino desconhecido e nós não embarcamos para lugar nenhum. Nova tentativa de embarque no dia seguinte e o caos foi surpreendentemente maior do que no dia anterior. Além da mala até então não encontrada, nosso vôo sofreu uma série de adiamentos até que perdemos o jogo que iríamos no Maracanã e nossa paciência se esgotou.
Justificativa da Gol? "Estamos sem tripulação, o piloto sumiu". E tivemos que engolir isso a seco. E preencher diversos formulários de reclamação. E gastar mais e mais dinheiro com taxi. E voltar para casa pela segunda vez, sem mala, tentando colar algum sorriso no rosto. E ficar em Sampa nestes dias cinzas. E ficar procurando o que fazer. E fazer as mesmas coisas de sempre. Só pra variar.

Gol, muito obrigada por acabar com nosso feriado.

29 setembro 2009

Rain Down Project


Eis o achado do dia:

Um tal Andrews F. G. teve o dom de recolher diversas captações do show do Radiohead aqui em Sampa e fez uma montagem do espetáááculo que foi este show de ponta a ponta. E o melhor de tudo: através do olhar do público que - fato - estava completamente extasiado.

Sim, Andrews merece uma vaga no céu!

Dúvidas:
Como ele conseguiu subir um vídeo de 2hrs e 23min no Youtube?
Alguém tem alguma idéia de como posso extrair isso de lá? Pelo vixy.net está impossível, creio que seja por causa tamanho do arquivo.

Eu quero-quero este arquivo pra mim.

Olha aqui, ó:


25 setembro 2009

essa sexta-feira está preta dentro de mim. nada de concreto, mas um desânimo, um choro entaladado e não, não é tpm.
sem vontade de ficar até tarde no trabalho - nem de ir embora cedo, sem vontade de voltar pra casa e esperar meu amor chegar e sem vontade de encontrar minhas (lindas) amigas no bar.
às vezes fico assustada com esse universo que existe dentro da gente. hoje me encontro no lugar mais obscuro dentro dele e eu o chamaria abismo. olho para os lados, para cima e para baixo e é tudo escuridão. quando grito, ecoa, mas ninguém me ouve e ainda resta um tremendo frio na barriga.
por quê? nem eu sei!
no fone de ouvido já passaram os beatles, kings of leon, bon iver, marlango, stereolab e nina simone e todos me deprimiram igual. que horror! é a prova que música é estado de espirito e que esse tal universo interno às vezes tem uma vontade própria que vou te contar...
minha (ex) terapeuta sempre me disse que eu nunca seria uma pessoa deprimida por conta do contágio mágico que tenho com a vida. é porque na maioria das vezes um pôr-do-sol, uma deitadinha da grama, um mergulho no mar, um abraço verdadeiro e bem apertado ou um porre gostoso no bar lavam minha alma de um modo que pouco se vê por aí. e, ainda assim, hoje recusei todas essas pedidas. parece que o universo dentro de mim quer continuar quietinho, no escurinho. e que isso dure só até amanhã.

ps: até o final do post cassandra wilson cantou sentimental mood e caetano veloso you don't know me. sugestivo, não?

31 agosto 2009

Cobrança demais sufoca qualquer relação.

28 julho 2009

RT @jpcuenca: cat power perdeu alguma coisa: http://oglobo.globo.com/blogs/cuenca/

27 julho 2009



Eu nunca vou me esquecer do dia de ontém: o sofá como novo berço do nosso convívio, os celulares ligados e fora de alcance, a chuva fria e constante lá fora. Vinho tinto, vinho tinto, vinho tinto. O almoço sempre-fora-de-hora teve ontém tomate recheado, torta de frango com catupiry e arroz branco soltinho. Teve também Dave Brubeck e Take Five durante o amor latente e desesperado no fim do dia. Teve banho longo e quente, sede de água, sede da gente. Nina Simone e My Babe Just Cares For Me no rádio, incontáveis beijos, suspiros e abraços. Olhares densos e profundos, carinhos delicados. Soneca inesperada, sonho leve em meio a doce poesia que só nosso amor nos traz.

Ontém foi mais um dia da típica paz de estar em par com você - agora no nosso novo lar. A cada anoitecer, a cada despertar, me manterei leal a você, Gui, pois és meu homem, marido e eterno namorado. Sou sua mulher por inteiro e... (posso te contar um segredo?)

Você é meu grande, único e verdadeiro amor.

23 julho 2009

**

Quer conhecer o verdadeiro caráter de uma pessoa? Dê-lhe poder.

26 junho 2009

Eles se vão... mas a música fica

Com todo respeito, tô tendo overdose de notícias e comentários sobre a vida - e a morte - de Michael Jackson.

Faço, então, questão de mudar o assunto, pois no meio de tanto conteúdo repetido, tive a felicidade de encontrar essa coisinha fofa e bem produzida aqui. Não é Michael, mas é John, Paul, George e Ringo.

Espero que gostem!

25 junho 2009

*

personalizei o meu gmail. agora ele é lilás e verde, bem clean!

uma coisa azul a menos no meu virtual! fuuuf!

29 maio 2009



hoje aconteceu uma coisa deliciosa.

dormi no meu namorado e de manhã ele me deixou em casa para eu pegar meu carro.
viemos separados para o mesmo bairro trabalhar.
estava na brasil, chegando no trabalho.
o farol fechou.
pedestres atravessando.
um cara moreno, de óculos escuros e terno me chamou bem a atenção.
parei para reparar no gatinho.
era ele, meu namorado!

=)

13 maio 2009

"A palavra mais importante da Língua Portuguesa só tem uma letra: é."

Clarice Lispector

08 abril 2009



A pessoa que dedica sua vida a ser contra você,
ainda assim, dedica sua vida a você.
Isso tem nome: amor às avessas.

Rosana Hermann





06 abril 2009



em algum outro momento eu estaria surtando de ansiedade. ela tem batido aqui às vezes, mas não como antes. difícil sentir isso ao longo de um período ocioso e delicado. reclamei tanto do cansaço, que hoje descanso há mais de dois meses por tempo ainda indeterminado.
você me acalma. acho que essa é a grande qualidade que sua presença me traz. é como se nada pudesse abalar a estrutura em que me encontro agora, como se eu sempre visse a luz antes do túnel, como se mesmo na penumbra eu já estivesse aquecendo as asas, fazendo os últimos ajustes, prestes a decolar, mas com os pezinhos não tão longes do chão.

obrigada, anjo meu.
és meu equilibrio neste imenso mar de emoções.

23 março 2009

radiohead_são paulo

foi sensacional.
porque não basta o público ser bonitinho e descolado. tem que curtir a melancolia de exit music, nude, *everything in its right place de olhos fechados, braços abertos e sorriso emocionado no rosto. tem que entender a (des)contrução de paranoid android que leva neguinho do céu até o chão. tem que arriscar um tchururu pra fazer thom yorke tocar creep. tem que se entregar em jigsaw falling into place. eu me joguei.
como se não bastasse, tinha brisa no rosto, cerveja gelada, companhias perfeitas, catarse constante e cenografia de matar. teve "now we're one in everlasting peace" em silêncio no abraço que é o meu lugar no mundo. não faltou nada. *tudo em seu perfeito lugar.


22 janeiro 2009

14 janeiro 2009

06 janeiro 2009

Eu entendi algumas coisas que nunca havia entendido. E consegui me colocar um pouco no seu lugar. Ele não foi claro com você. Talvez tenha sido distantemente transparente, mas só a palavra crua e ácida é capaz de dissolver o sonho que nos carrega pelas ruas coloridas e ensolaradas do mundo do amor. Ele bem que tentou, mas - ao contrário - seguiu montado num silêncio inóspito que *te (e mais tarde *me) atropelou. E posso afirmar que tudo fez tão mal à mim, quanto à voce.

Hoje já não quero me apegar aos detalhes que te fizeram perder a razão. Já não vem ao caso, a sabedoria que o tempo traz me explica o porquê de certas coisas caminharem tão tortas para, então, se endireitar. Depois de tanta chuva, veio o vento e hoje tem a brisa doce e constante da harmonia das coisas em seu devido lugar. As angústias viram nada, os medos se dissolvem, o passado vira história boa pra contar. Como um passe de mágica: A paz de estar em par.

Happy New Year, folks!




19 dezembro 2008

Antao & McCardell

O link já tinha entrado no lambe-lambe aqui do lado esquerdo, onde só recomendo sites de amigos.
Resolvi, então, publicar aqui o release do trabalho que meu amigo-irmão vem lapidando há um tempão, eis que na reta final do cabalístico ano 1, surge 2, o (nosso) tão esperado álbum.
Pronuncie na língua que quiser ou souber. O acesso é de todos e para todos, assim como as músicas, já disponíveis para download.

Conteúdo de internauta pode virar moeda de troca na web.

*
No site da banda, um conceito inusitado: disponibilizar o trabalho até odia 25 de dezembro, permitindo que o usuário faça o download integral e gratuito do álbum para presentear quantos amigos quiser antes do Reveillon 2009.
Na idéia criada por 2, número que dá nome ao duo, o internauta, sem pegarlongas filas nos shoppings ou sair de casa, oferece uma gentileza criada pelos compositores, de maneira moderna, rápida e ecológica.
São 10 músicas compostas em inglês pela dupla Rodrigo Antão & Pedro McCardell, brasileiros que viveram em Londres por 5 anos. Rodrigo é poeta, multi-instrumentista, e produtor musical. Pedro é poeta premiado e co-produtor do álbum.
A dupla assegura conduzir um projeto construído a partir de cativantes idéias melódicas, consolidadas por uma sofisticada poesia. O disco, independente e totalmente produzido por eles, está disponível na internetpara os amigos, e claro, para os amigos dos amigos.
Após o dia 25 de dezembro, o internauta poderá baixar as músicas do álbum, porém, com mais uma proposta criativa: como moeda de troca, quem quiser fazer o download das músicas deverá disponibilizar à dupla qualquer arquivo de autoria própria, seja um vídeo, uma foto, ou uma simples frase, material que alimentará o site durante 2009, criando uma interação com o público, que automaticamente torna-se parte integrante da banda.
O site, em inglês, é conceitual e auto-explicativo. É o impulso da não-venda imediata, da troca de conteúdo criativo, e da promoção da banda utilizando-se apenas da internet.

02 dezembro 2008



Tive um sonho interessante essa noite:

Algumas pessoas apareciam em minha frente e - com elas - eu tinha a opção de entrar em três fuscas diferentes: Um fusca era o Para Sempre, o outro era o Jamais e o outro o Por Agora.

Me apareceu o homem pelado do fim de semana. Entrei - ainda tremendo e a contragosto - no fusquinha Jamais.
Me apareceu o cliente mais complicado que estou atendendo. Cordialmente tivemos que entrar no Por Agora.

Apareceu meu amor sorrindo para mim. Demos as mãos, caminhamos calmamente. Ele abriu a porta, eu liguei o som. Tocava The ballad of John and Yoko. Foi dada a partida. Ele acelerou. Partimos juntos. Para Sempre.


27 novembro 2008

Uma Ju

Para quem ainda tem medo da entrega, para quem vive romances com o freio de mão puxado, para quem gosta do morno, para quem se dá sem se perder.


Uma Ju

Para quem tenta perpeturar aquilo que acabou, para quem tem se alimentado de migalhas, para quem abre a janela, mas esquece a porta trancada, para quem ainda sente a dor do antigo amor.






04 novembro 2008

Ando nervosa durante o horário comercial. Mudei de trabalho (thanks, God), mas trouxe um casaço acumulado do outro, um estado crônico de sapos entalados na garganta que fizeram meu pavio estar curto como nunca. Não é nada pessoal, mas é assim que eu ando e as coisas passam a me irritar mais do que o normal. Pessoas que se fazem de idiota para – assim - me fazerem de idiota é foda de administrar, mas não vou pegar esse problema pra mim, até porque acabei de passar por outro tipo bem pior.

Pela primeira vez fiz as contas de quantos dias faltam para minha tão esperada viagem (férias, férias!) e me arrependi, contar em maior escala era melhor. Mas até que pro Natal – que fica perto do reveillon – faltam só cinquenta e isso não é de todo mal. Sim, ainda existe otimismo por aqui! E é fato, os meses tão voando, os dias da semana também e os fins de semana, nossa, tão rápido que não vejo passar. Preciso sentir de novo a sensação de que trabalho pra viver. Aquele êxtase bahiano do começo do ano me encorajou para a jornada de trabalho anual e agora, na reta final, sinto como se estivesse nadando, nadando e morrendo na beira da praia.

É minha gente, dramatizar meu cansaço em algumas linhas até que me fez bem, enquanto isso o trânsito baixou e deu a hora do meu rodízio. O sol acaba de se pôr e agora é hora de tomar uma cervejinha, jantar com as amigas e, de quebra, dormir e acordar nos braços dele . Maravilha. Do jeito que eu gosto. Tudoaomesmotempoagora.



15 outubro 2008


PS: voltei a trabalhar com pc há dois dias e me sinto um pouco analfa. eu sei, vai passar. mas é que eu tenho um sério problema com arial-e-fundo-azul. eles me irritam, me intimidam, me bloqueiam, é empírico! por que tudo de automático no windows é sempre em arial-e-fundo-azul? quem disse que é essa merda é legal, hein? já sinto saudades do mac, da skia e dos fundos naturalmente brancos... e sim, sei que não é o fim do mundo, okay? vai passar... eu sei, vai passar.

18 setembro 2008

e se a gente se encontrasse depois do trabalho e se não tivesse nada programado e fizesse coisas sem pensar no dia seguinte e saísse andando pelas ruas do bairro até chegar no outro bairro e sentasse naquele bar que nunca sentamos e passasse horas bebendo e rindo e acariciando um ao outro como se ninguém observasse a nossa alegria que insiste em transbordar quando estamos a sós e que desenha com traços livres o sorriso mais bonito em mim e que brota em seu rosto o olhar mais terno que já vi e se saísse de lá a pé novamente e batesse naquela portinha que nunca batemos e dançasse nus ao som de nós dois como quando você me olhou e você me ergueu me chamando para você e pegou minhas mãos com todo o seu cuidado e me rodopiou com os pés descalços na areia cantando em meu ouvido as mais lindas melodias de toda doce vida que eu nem imaginava ter ao seu lado.

e se...

11 setembro 2008


“... pensar meu deus que porra é essa, como é que eu me meti nessa, como é que eu saio dessa, quem disse que eu quero sair dessa, esquecer isso tudo, derreter, morrer, agradecer à nossa senhora da pequena morte e dormir uma dormidinha daquelas antes de começar tudo de novo. e de novo. e de novo e de novo, até ele perceber que não há saída senão se entregar e se entregar sabendo que tudo nos espera (...)”








clarah averbuck em nossa senhora da pequena morte



*music in the air: "i'm your man" - leonard cohen
imagem: ffffound


04 setembro 2008

*

Eu acho que todo mês tinha que ter uma festa (boa) de amigo. Faz bem pra saúde!

Depois de alguns anos juntos, se separaram por questões conjugais, não por ausência de amor. Enjaularam-se dentro de si, pincelando o orgulho e a decepção com cores pastéis, tons de melancolia armada e desarmada; noites geladas, manhãs frias, alma empedrada. Ele joga nela a responsabilidade de amá-lo por todo o sempre. Ela se esconde, porque o ama tanto aqui e agora que - sem ele - não enxerga um passo a frente.

Usam sua dor para compor belas e tristes melodias e mantêem entre si uma distância friamente calculada, para que a solidão - já derramada da jaula - possa por aí se espalhar, tornando o mundo mais cinza, refletindo o seu vazio. Temem um ao outro, abrem janelas e fecham portas, voltam sempre para o mesmíssimo lugar.


O dia de hoje amanheceu de olhos inchados, respiração congestionada, uma velha - mas não estranha - inquietação. As lágrimas que antes caíam em silêncio, hoje gritaram com o mesmo tom de voz de um ano atrás. Parece que o tempo congelou.

Há bem mais de doze meses duas pessoas se resistem dolorosamente. Infinita ou interrompida, triste ou feliz, essa é a história de amor que hoje me fisgou.

20 agosto 2008

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cazuza que me perdoe

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eu *tenho* a sorte de um amor tranquilo

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05 agosto 2008

Hamlet

"Se não for agora, não será depois. Se não for depois, tem que ser agora. Se não for agora, será em um momento qualquer. Estar pronto é tudo."

25 julho 2008

Estrela de Maio

Eu conheço poucas pessoas que seguem com um mesmo blog há tanto tempo. Na verdade, que eu me lembre agora, só eu e a Biba.
Tenho esse cantinho desde 2002 sem previsão de encerramento. Não uso condinome, vou do abstrato ao supérfluo e desinteressante sem almejar um buzz, apenas algum feedback daqueles que por ventura se identificam com o que lêem por aqui.
É interessante ter leitores assíduos que jamais conheci "na vida real". Sempre gostei de colher as impressões que eles têm de mim. Tem aqueles que passaram por aqui somente uma vez e disseram um "oi". Outros que se identificaram tanto com algum texto, que trouxeram outros visitantes. Tenho amigos que fazem do Estrela quase uma rotina: ligam o computador, entram no email pessoal, email de trabalho, site predileto de notícias e Estrela de Maio! Outros nunca decoram este endereço e sempre me perguntam "qual o seu blog mesmo?". Tem o namorado que entra vez em nunca e lê analiticamente os últimos posts... Tem os fuçadores, os passantes, os caça-imagens, os googlers e todos sempre foram muito bem vindos, igualmente.
Publicar "minha autobiografia sem fatos" há seis anos é como conseguir colocar no papel uma trajetória pela qual todos nós passamos: o crescer, o amadurecer. Gosto de ler coisas patéticas que saíram - e saem - de mim e acho bacana ter registrado alguns desabafos que muitas vezes só eu sei quais foram. As coisas aqui sempre foram catalogadas de uma forma mais - ou menos - óbvia do que dentro de mim e gosto de poder passar o olho pela minha história com a mesma facilidade de quem folheia páginas de uma revista qualquer.

Na verdade desatei a falar tudo isso porque perdi todos os meus comments. Fico triste porque eles sempre foram parte integrante do blog, o reflexo da minha emoção. Após três semanas de pane no sistema, resolvi aceitar e instalar um sistema novo. Uma parte disso tudo aqui vai, então, recomeçar!

08 julho 2008

24 junho 2008

é por isso que eu trabalho todos os dias

19 junho 2008

sobre a *ropy*



"eu não quero deixar ela morrer, ela é minha criação, só que hoje é como uma fantasia; eu tiro quando a festa acaba!!"

*roberta* também gosta mais do que é agora.

16 junho 2008



Domingo a noite

Chove lá fora

Zapeio Canais

- Meu amor deitado em meu peito -

Ponho-me a pensar

Sobre o que citou Fernanda Takai

E a criar verdades e artes

Sobre mim mesma



"Acho que sou feliz.
Eu quero tudo o que tenho, desejo o que posso e sou da minha idade. Será isso a tal felicidade?"

Climério Ferreira

04 junho 2008

You can laugh
A spineless laugh
We hope that your rules and wisdom choke you
Now we are one
In everlasting peace

*

exit music (for a film)
radiohead

09 maio 2008

(arte: gustav klimt)

eu percebi que não tem tido meio-termo. a vida toda hora tem colocado minha escolha a prova de bala, fogo, canhão.

vejo que aquela menina que sempre queria o que não tinha, mudou muito. eu colocava minhas conquistas a perder por um mero impulso egóico, por um simples desafio qualquer. julgava muito chulamente o que era bom pra mim e, é claro, não fui a única a pagar por isso.

tanta coisa errou...

amores voaram, tanto sentimento escorrido pelas minhas mãos como água corrente. contruí castelos invisíveis e destruí obras reais com a mesma facilidade e inocência e quase sempre anestesiei a dor.

minha intensidade sempre foi um tiro no pé. minhas festas, meus beijos, minhas transas eram sempre "mais legais" que dos outros pelo simples fato de eu não dosar energia pra nada. despenquei em queda livre algumas várias vezes pela frustração de fazer das coisas boas, passageiras e tudo se tornou
way of life
.

sempre pequei por agregar tanto fervor em tudo que vivi, mas só minha própria intensidade foi capaz de colocar as coisas no lugar. hoje tenho boas histórias pra contar (am i gump, mi?!). sinto um frio na barriga tremendo quando olho pra trás, mas tenho pouca saudade do que passou. nostalgia, talvez.

gosto mais do que sou agora.

me orgulha não mais desprezar minhas conquistas, não querer comer o prato do lado, ter aprendido a cuidar da minha casa, das minhas coisas, do meu dinheiro e - mais ainda - de mim. isso refletiu em tudo.

hoje vejo claramente pessoas no mesmo vício do erro e penso: é quase tudo uma questão de escolha. *agradeço pelas minhas*. some things really matter
to me.

25 abril 2008

feliz ano novo, meu amor.

é seu o meu melhor sorriso
e.very.day

24 abril 2008

*

o cd da semana se chama: in rainbows, radiohead
viciada².

04 abril 2008

"Eu acredito que, se existe algum tipo de Deus, não está em nenhum de nós. Nem em você ou em mim, mas num pequeno espaço no meio. Se existe algum tipo de mágica nesse mundo, deve estar na tentativa de entender alguém compartilhando alguma coisa. É quase impossível conseguir, mas quem se importa? A resposta está na tentativa".

(Ethan Hawke em "Antes do Amanhecer'')

27 março 2008

expira...



"tudo posso naquele que me fortalece"


foda-se picuinha...
e foda-se mesquinharia...

18 março 2008

Uma parte que não tinha



Hoje encerrei um ciclo.

Acho.

Não, encerrei.

Fechado.

17 março 2008

a thousand different versions of yourself
and they got no right



*
sleeping lessons
the shins

05 março 2008


*** copy and paste do dudi maia rosa

manhã, tarde, noite



será o momento ou a maturidade que cabe a ele, mas o mistério não instigou; nenhum deles têm instigado. o que poderia dar asas a todo universo aquariano, mais parece fincar os pés em terra, naquilo que se tem e não no que se sente. *e, afinal, qual é a diferença entre um e outro?*

"a vida é uma só". frase que, em situação peculiar, soou como um tiro no peito, de repente se torna a parte mais sincera e humana de mim agora.

uma vontade de deitar na minha diagonal agarrada aos quatro travesseiros da cama já não tão grande, de esperar o teatro mágico me acordar para o dia que em algumas horas vai raiar.


hoje acordei pensando em um apanhado de coisas, por si só, tão satisfatórias... nos pequenos afazeres... nas grandes abstrações.
o almoço - pra lá de saboroso - não trouxe sono na manicure, nem preguiça às quartorze e dez, quando voltei pra agência.
a tarde passou rápida, cheia de trabalho, música boa e pequenas revelações.
o jantar foi leve, acompanhado de serramalte gelada numa noite especialmente quente. excelente companhia, voltei pra casa me sentindo - novamente - maior.

o quê posso querer mais, além da liberdade de me sentir feliz?

já tarde, em seu timing, a mensagem de boa noite. uma fraterna vontade de replicá-la ao planeta terra, desejando a tudo e a todos a melhor noite do mundo.

*

e que venha o próximo dia: cheinho de novidades - como todos os novos dias são -, com cheiro de lavanda, de banho tomado... acompanhado pela minha melhor trilha... ainda que não seja a paisagem sonora do mundo real.