Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem fatos, a minha história sem vida. São as minhas confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho a dizer.
29 novembro 2006
16 novembro 2006
15 novembro 2006
Poucas vezes errei de caminho, mas é só porque os caminhos são tão tortuosos, tão sinuosos, que é difícil dizer quando terminei um e comecei outro, quando realmente escolhi ou quando fui a esmo. Na maioria das vezes, vou a esmo. Acredito demais nas minhas entranhas. Desconfio muito da minha capacidade de planejamento. Não sei o que vou estar fazendo daqui a cinco anos e chego atrasada em entrevistas de emprego (mas não me atraso para mais nada).
Odeio uniformidade, odeio unilateralidade, odeio unidireção, odeio “unis” em geral, inclusive uniões. Não acredito em uniões, para ser sincera. Acredito em andar junto. Fundir, não.
Acredito em caminhos tortos, mas não em errados. Nem em certos. Apenas espertos ou burros. Para caminho não se dá nota. Porque notas têm que partir de uma certeza absoluta e ir baixando quanto mais se afasta disso. Só que ninguém sabe de nada, ninguém tem o direito de saber mais, nem a capacidade. Ninguém entenderia porque um caminho limpo e reto me deixaria deprimida. Ninguém entende quando choro estando tudo, tudo bem.
E foda-se.
Não entendo como há gente to tipo terninho, do tipo que limpa nervosamente a boca com o guardanapo, do tipo que sonha com cavalos e seca o cabelo. Não entendo, não faz parte do meu mundo, rio de ironia (são pessoas que ainda não entenderam que vão morrer). Ou de tédio. Rio dos textos lineares. Acho graça em quem tenta fazer da literatura uma arte exata (se isso existe). Não rio de raiva (embora possa acontecer). Rio porque acho fofo. Elementar. Uma infamiliaridade com a escrita igual a que eu tenho com um pincel. Ou com um guardanapo grande.
Mas tento ao máximo respeitar. Tem gente que sabe onde vai estar daqui a um mês e realmente sabe. Eu não sei. Eu prefiro ser surpreendida no meio do caminho. Mudar meu curso, voltar, cortar caminho, ser pega pela polícia, chutar e ser presa, chorar, depois rir de tudo e vir contar. Não sei o que me fará feliz. Sei o que me faz.
Ah, chega.
10 novembro 2006

Seria então de cumplicidade maior, num deixar mais sereno, já que diferente não poderia ser. Não teria referência, não seria vivido. Poderia até não ter sofrido, porque da soma faria medo, compensar descompensado; construído, destruído, detonado.
O frio foi olho d'agua. Interrogação. Um quê que leva pra não sei onde. Tudo novo. Tudo novo de novo.
Unilateral
Assim estou desde que ressucitei da minha cólica: chorando por um olho só. E desta vez não há metáforas.
06 novembro 2006
01 novembro 2006
25 outubro 2006
Mas não era disso que eu ia falar... Era mesmo pra postar um texto da Antônia, como sempre, maravilhosa:
*(Sarinha, desta vez a ilustração não é exclusiva, mas já que o texto também não é...)

(Corpos - Sara Mello)
Entreato de um verão: o amor.
Te vejo na pista, me encosto. Te quero. Sou sua. Me enrosco. Na tua. Me leva. Contigo. Pra onde meu corpo possa ser seu território. Onde cada centímetro da sua pele sinta a presença da minha pele. Dez milhões de terminações nervosas juntas, um curto circuito. Eu e você. Percorro teu corpo com a ponta dos dedos, desbravo planícies sensoriais.
Me pega. De um jeito que seja pra sempre. Me guarda no seu coração. Veste minha barriga de Sol, vamos imaginar jardins. Usa suas mãos finas pra tocar meu rosto. Decora cada feição. Enfie seus dedos por entre o emaranhado dos meus cabelos. E puxe. De leve. Juntando seu peito ao meu. Sinta. Tudo bate pulsa mais rápido quando você está perto, aqui, em mim.
Siga o trilho da palma da minha mão e se embaralhe ao meu destino. Minha sua vida. Escrevamos nossa história a quatro mãos. Vamos dissolver fronteiras, percamos a distinção. Eu e tu, teu. Minha pele morena avança sobre tua pele jambo. Meus cachos, teus cachos. Enrolam-se. Misturam-se. Cada gota do seu suor escorre pelo meu corpo, tua regência. Faz calor. Aqui e dentro do mar é tudo uma coisa só. Outra temperatura.
17 outubro 2006
16 outubro 2006
Tua ansiedade

(ilustração: Sara Mello)
Eu já tinha te dito que essa sua ansiedade não ia te levar a nada. Essa tua mania de não fazer mistério, de acreditar que abrir-se é aflorar-se, mas para aflorar precisa regar. Não é unânime esta beleza pura dentro de ti. Essa ingenuidade carente que aperta teu coração não te permite fazer vento, nem brisa, nem mar. Já te disse – e você já prometeu – cuidar mais de si. Do teu canto, das tuas conquistas, do teu coração e da tua coragem. Prometeu em palavras ditas e escritas, em preces secretas, meros papéis rasgados em sonhos sombrios e, na verdade, estas promessas só fazem sentido para você mesma. Ninguém nunca revindicará o mal que faz a si, porque é um mal silencioso que anda te corroendo ao longo dos anos, te fazendo sentir dessa forma que não pode comunicar a ninguém, só a mim. Estou aqui, bem perto, até o fim, seja ele qual for. E que ele brote da tua mais profunda vontade.
15 outubro 2006
04 outubro 2006

se alguma possibilidade de estar em teus braços novamente me ocorreu ontém, creio que ela me trouxe allegria. bom saber que é isso que me despertas. já me apaixonei pela raiva, pela insegurança, já projetei outros olhos nos meus querendo encaixá-los dentro de visões tão claras e distintas. ja me apaixonei pela distância, pelo não amado, pelo não admirado. me apaixonei então pela incerteza, pelo ciúme que ele gerava em mim, pelas músicas que me remetiam a nós, num estar tão monótono, solitário, infantojuvenil; rico de poesia, mas ausente de cor, ainda que fosse um cinza chumbo, mas nítido aos olhos e ao coração. me apaixonei pela minha própria dor, pela minha amargura, pelo não estar em mim mesma. tive que fazer meu coração entender a tal diferença entre a paixão e projeção, entre o que se tem e o que não se acessa, e de repente, por algumas horas, voltei à estaca zero quando olhei para dentro de mim e senti allegria. foi o que eu senti. foi por você e não por mim. um brinde às sensações nobres.
03 outubro 2006
27 setembro 2006
26 setembro 2006
ela acha
ela acha que
ela acha que sente
ela acha que sente saudade
ela acha que sente saudade de
ela acha que sente saudade dele
ela acha que sente saudade dele e
ela acha que sente saudade dele e de
ela acha que sente saudade dele e dela.

Ilustração: Sara Mello
25 setembro 2006
19 setembro 2006
Ain't got no/ I got life

Ilustração: Sara Mello
Agora Jeff Buckley preenche profundamente meus ouvidos brincando de fazer poesia com os sentimentos calados no meu introspecto desde a noite passada. Não pensei nisso antes, mas tudo ganhou uma nova perspectiva: mais realista e mais cruel, porque a realidade é seeempre mais cruel.
Quando escolhi viver aqui e não lá em cima, sabia que seria assim. E teria que partir de mim. Só eu poderia medir a dor de meus ombros pesados despencados de tão alto e escolher encarar o que se tem por aqui.
O tapa não pára de latejar. Faz meses. Já fiquei sem ar, já gritei, já arremessei coisas, cuspi, bati. Já dirigi loucamente, e então me acalmei.
Agora tudo tem rabiscos cinza, numa linha constante e sem fim. Agora é música densa, poesia grossa. É intima melancolia. É pra sempre. Não é escolha, mas não finjo mais. Vejo, não fujo. O colorido sou eu que pinto. E dou tinta e pincel àqueles que eu escolhi.
"What about God?
Why am I alive anyway?
Yeah, what about God?
Nobody can take away
I got my hair, I got my head
I got my brains, I got my ears
I got my eyes, I got my nose
I got my mouth, I got my smile
I got my tongue, I got my chin
I got my neck, I got my boobs
I got my heart, I got my soul
I got my back, I got my sex
I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood
I've got life , I've got my freedom
I've got the life
And I'm gonna keep it
I've got the life
And nobody's gonna take it away
I've got the life"
Nina Simone
13 setembro 2006
Plural

Eu nunca permiti que uma alma fraca me roubasse energia. Ou sempre me enganei. Hoje a leveza acordou comigo e horas depois fui me sentindo fraca de um jeito que meus músculos não conseguiam esticar meus lábios. Assim, me calo.
Sozinha no carro, nem liguei o som. Não me deixei permitir, isso sim. E me cobro, como eu me cobro... assim foi por toda a manhã.
Num outro momento, e num patamar maior, uma angustia em querer carregar no colo pessoas grandes em momentos frágeis. Isso me tomou. Descobri a tarde que a angustia da manhã não era angústia, era pretensão. Quis então, ali e aqui, em pensamento e meras palavras jogadas, borradas, mal ditas, poder elevar quem estava sem chão. Foi quando pensei que carregar o grande pode ser mais fácil do que lidar com o pequeno. Sentir contagio com o sublime é desafiar a perdição.
Sua tristeza é bela. Sua tristeza é cheia, transborda beleza.
Sua, suas. Acabam sendo nossas.
Catarse.
Compaixão.
Ilustração: Sara Mello

Ilustração: Sara Mello
Caio Fernando Abreu
12 setembro 2006
06 setembro 2006
.mais.e.u.

O feriado vai encurtar a semana e um pouco das olheiras de abatimento. Andei alegre e angustiada, uma infeliz combinação. Hoje os minutos passaram rápidos e densos, e, ao fim do dia, sinto um alívio são.
Questionei sombras invisíveis e fragilizei-me frente a mim mesma quando discretamente tentei me olhar no espelho e não consegui. Persisti. Eu sempre persisto. Gosto do que vejo agora. Admiração profunda ao louvável.
04 setembro 2006
Com muito orgulho...
O trabalho da jovem arquiteta e designer Kelly Pisacane não se caracteriza apenas pela nobreza das jóias, mas pela arte de transformá-las em pequenas esculturas. Detalhes são cautelosamente aplicados em suas criações, tornando-as referência de qualidade, acabamento e bom gosto. Sua arte simboliza a união do romântico ao contemporâneo, da doçura à extravagância, criando peças que agregam feminilidade e personalidade a quem as veste.24 agosto 2006
***
Manu escreve. Sara lê. Sara cria. Manu posta.
Demais! ; )
23 agosto 2006

Dias antes poderia ter saído no mínimo ilesa, mas não me permiti. Nas noites seguintes o pensamento era outro e hoje já não sei qual é. Tenho dormido com a cabeça vazia entre as caixas de minhas recordações, enquanto a luz não vem clarear meu quarto escuro contando um pouco do que está por vir.
Agora é uma mistura de ausência e presença, minha e sua. Os quatro olhos brilhantes, o sorriso doce, as fortes gargalhadas. As barrigas grudadas, os desenhos de nossos corpos se misturando, antes realistas e hoje surreais.
Lembrei das gotas de água quente, do abraço apertado, dos beijos nos olhos fechados imaginando as nuâncias de seu rosto, em uníssono, silenciosamente me pedindo para nunca mais sair dali.
Hoje, no espaço infinito da nossa ausência, penso que gosto do que tenho por aqui: Me and myself imensamente elevados após sua presença dentro e fora de mim. Tudo junto de uma só vez. Peço desculpas por não poder me expressar.
Vai e volta. Ou vá e não volte. A gente nunca sabe o que faz. Agora não quero saber. Déja vu.
20 agosto 2006
13 agosto 2006
E aí, o que vai rolar hoje?
new me diz:
acho que nada, vou arrumar as paradas aqui, amanha começo na dentsu, tenho que arrumar um monte de coisa...
new me diz:
o pepe vem aqui, o caio, kelly e tal
Rico diz:
eh mesmo? que horas?
new me diz:
logo menos
new me diz:
devem estar a caminho
new me diz:
se quiser vir... VEM!!!
Rico diz:
si, vou tomar um banho depois passo ae
new me diz:
"suponhamos que" você queira vir, sinta-se a vontade!!!
Rico diz:
suponhamos que eu vá, levo alguma coisa?
new me diz:
ah, eu topo tomar um cerevjinha facil
new me diz:
aqui ainda nao tem nada, liguei a geladeira hoje
Rico diz: ok new me diz:
suponho que se vc trouxer eu tomo
new me diz:
mas é só uma suposição
Rico diz:
supondo que eu tivesse dito que traria cerveja, era brincadeira, né
Rico diz:
é difícil conversar assim hein?
new me diz:
né???
09 agosto 2006
02 agosto 2006
Tudo enquadrado/ em quadrado
RELATO DE UM CERTO ORIENTE, MILTON HATOUM
01 agosto 2006

ilustração: giulianna ronna
Espírito, incosciente e realidade alinhados.
As oscilações agora estão dentro de um bem estar sublime.
Descobertas. Surpresas. Conquista.
Eu tô feliz pra caralho.
07 julho 2006
[Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.]
CLARICE, CLARICE.
Procurei ouvir de olhos fechados tudo o que diziam ali, para que eu não perdesse a concentração, mas ainda sim em certos momentos me peguei pensando em coisas supérfluas como o mocinho do fim de semana. Então comecei a rezar. Pedi a Deus concentração. Pedi que Ele abrisse meu coração para aquilo que amorosamente estava sendo-me oferecido. De que adiantaria estar com a carcaça a postos naquela cadeira se meu coração não estivesse inteiramente ali? Aos poucos fui conseguindo guiar minha energia e tudo que eu ouvi começou a fazer sentido para mim. Muito sentido.
Parecia pegadinha. Uma pegadinha do bem.
11 junho 2006
(**)
02 junho 2006
31 maio 2006
25 maio 2006
22 maio 2006
Drifting...
Through the window
And I stare at you
You wear nothing but you
Wear it so well
Tied up and twisted
The way Id like to be
For you, for me
15 maio 2006
beats
Eu definitivamente SOU LOUCA POR MÚSICA AO VIVO. LOUCA.
12 maio 2006
09 maio 2006
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
03 maio 2006
*Simple as that*
A Energia tem se manifestado em minha vida de uma forma louca, chega a ser palpável, literalmente.
É ela que rege o mundo todo, todos nós, seres humanos e não humanos. Cada célula, cada átomo, cada micro-partícula.
O som, o cheiro, o pensamento. Ah, pensamento.
Intuição. Percepção. É tudo culpa da Energia.
É poderosa. É minha religião.
Simple as that.
26 abril 2006
24 abril 2006
ella
com essa mania de dois elles
os dias andam peculiarmente bellos
pensamentos
quanto maior a luz, maior a sombra
eu sempre acredito
a minha realleza . . . . . . . . . . . . . . . . . .
19 abril 2006
Analogy
"É como se você não tivesse sido convidada para um festa e ligasse para a aniversariante para dizer que não vai poder ir."
{Sooo...................... be quiet!}
17 abril 2006
Para uma avenca partindo
Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço (...)
De O OVO APUNHALADO
11 abril 2006
*** Grita!
por Antonia Pellegrino
Quando você bateu a porta e saiu, Chet Baker ainda cantava She Was Too Good to Me.
Com você, eu quis. O silencioso fluxo amoroso. Pra você, eu quis dizer as palavras mais belas do mundo, dizer que sou sua, que as nossas noites me emocionavam, que eu poderia dividir os meus dias com você. Eu não só quis dizer como quis ouvir, que era sua.
I would have brought you the sun, making you smile. That was my fun.
- Vai e não volta, por favor.
E você foi, me deixou aqui, acompanhadas pelas gérberas rosa, pelo gato, pela melancolia, garrafa de vinho, pelo Chet, chorando um amor que partiu, derramando lágrimas sobre os meus peitos inchados.
O problema é que eu aprendi a amar grande, errado, fodido.
E você nunca deixou que eu te amasse, inteira. Você sempre soube sair e não voltar, suspendendo o meu afeto, abafando essa história, sucessivamente, até que eu fosse obrigada a me proteger.
- Você é ansiosa.
- São muitos meses.
De uma história que se chama história interrompida, e é cheia de sentimentos frustrados, que foram sendo asfixiados nesse apartamento.
A gente foi se asfixiando nesse apartamento.
***
"As mulheres sempre sentem o impulso irresistível de resgatar os homens deles mesmos", Rosa Monteiro, em "Paixões".
Mas agora, chega.
***
Por outro lado, é realmente milagroso que um homem e uma mulher se encontrem. E fiquem juntos, mesmo na adversidade. E comunguem idéias semelhantes, ou diferentes, mas que interessem a ambos. E que gostem de música, de conversar, de sentir o cheiro da pele um do outro. Ao contrário do que eu disse, nós tivemos muitas coisas sim. Aprendemos a dançar nas noites de bebedeira, a ir desembestados até pararmos em quartinhos imundos no Catete, onde nos perdíamos um no olhar do outro. A gente teve fases, a gente se apaixonou, se desapaixonou, se reapaixonou, se largou pra se juntar de novo na próxima esquina, numa atração, que às vezes, pra mim, parecia irresistível. E sempre rimos juntos, essa é das coisas mais extraordinariamente belas que pode acontecer entre duas pessoas. Rir junto. E trocamos idéias, carinhos, remédios, e fomos musos um do outro. Nos divertimos a valer. Sim, nós fomos do caralho. Chegamos até a compartilhamos a intimidade um do outro, nosso mundo íntimo, delicado e pessoal, belo e trágico, cheio de alegrias e muita, mas muita dor.
É de fato espantoso que duas pessoas, ainda possam se encontrar. E que possam se amar, e que como todo amor, esse seja mais um amor a acabar...
Quando você bateu a porta e saiu, Chet Baker ainda cantava She Was Too Good to Me.
31 março 2006
Pêra, Peruda, Pereira
27 março 2006
A fotografia nunca se basta, ela é sempre o recorte de um olhar no mundo. Tem vezes que queremos ampliar as bordas da foto, ver mais, para além. Mas também acontece de ser difícil suportar aquela restrita verdade, ver menos, fingir. E, no mais das vezes, um caso ou o outro é sempre a mesma coisa. Sei que cada vez mais, nas inúteis paragens por onde tenho construído a minha vida, acredito em um olhar específico: o olhar poético. De algum modo, a arte nunca se basta, e talvez ela seja uma só.
23 março 2006
16 março 2006
**
**
Eu digo uma coisa, ele entende outra
Fica tudo sem começo nem fim
Quem dera eu pudesse contratar um dublê
Pra terminar certas cenas por mim
MARTHA MEDEIROS, POESIAS REUNIDAS
13 março 2006
Ponto
04 março 2006
and the Oscar goes to...
Depois que assisti Capote cheguei a conclusão de que ele está concorrendo ao Oscar sozinho. O filme não existiria sem ele. Excelente atuação a cada segundo. Excelente.
O QUE FICA EM MIM
É CADA VEZ MAIS ESSENCIAL.
Caio Fernando Abreu, do blog delaaa, e sempre em sintonia com elaaa.
24 fevereiro 2006
I like it, I like it. Yes I do.
Como de costume digo: minha droga é o rock' n roll. Viajo, deliro, tenho sensações jamais sentidas, vou para lugares desconhecidos, onde eu jamais estaria senão com a magia do bom, velho e novo rock'n roll. Desta vez me calei.
O show do Rolling Stones me surpeendeu. Como pode 1 milhão e meio de pessoas de todas as classes socias em harmonia por um propósito em comum?
Fui para o Rio sem saber o que esperar do show, da violência, da organização. Mas fui e fui feliz. Três horas e meia de caminhada até Copacabana e a energia só se elevou a cada quilômetro. Quando cortamos caminho pela rua paralela a praia vivenciei a mais pura definição do caos, mas essa parte pula, porque de fundo, eu relevei.
Quando - finalmente - chegamos na areia começamos a rir. Ao fundo os Titãs cantavam Sonífera Ilha e nós lá, mais acordados do que nunca. O som tava ok, o palco - gigante - tava mais em vista do que eu esperávamos, só me restava rir mesmo.
Quando o show começou caminhamos mais pro meio, os morrinhos de areia aos poucos foram desmoronando e meus olhos - nos meus quase 1,60 de altura - alcançando perfeitamente um dos telões da areia, metade do telão do palco e boa! Pra trás tinha um mar de gente e uma lua de tirar o fôlego. Para a esquerda uns 100 barcos iluminados bem perto da costa. A minha direita - isso foi foda - todos os prédios lotados de gente do primeiro ao último andar e a minha frente mais e mais gente e os queridos Stones quebrando tudo pra valer. O Mick Jagger só pode ter parado no tempo, não é possível tanta energia. Valeu tudo, a expectativa, as companhias, a panturrilha doendo e o caos depois do show, afinal o Leblon já estava mais longe do que nunca e só nos restava andar, andar e andar.
Domingo ensolarado, praia do Leblon, Suvaco do Cristo, Baixo Gávea, Dutra de madrugada e finalmente dia 20 chegou!
Meu frio na barriga começou forte às 5 da tarde e não parou mais.
Já no Morumbi, quando eu estava chegando no portão 2, começou um agito muito forte de fãs e quando olhei pro lado - eu tava rente a grade do estádio - há três metros de mim estava o Bono, em cima de um carro, com seu chapéu de palha cowboy, acenando para nós lá fora (sou eu que persigo o Bono ou é ele que me persegue?!). De novo entrei rindo, gargalhando, feliz da vida, fazer o quê?
Quando a energia nos conecta a alguém não é preciso celular, entramos e já encontramos quem precisávamos sem marcar ponto de encontro. Sintonia, sincronismo, sintonia, sincronismo. A-mo!
O show do Franz Ferdinand, que eu adoro, foi relevante. Legal, mas a responsabilidade de abrir U2 é grande.
Tô ficando sem palavras de novo.
Olha, foi aquilo que vocês viram ao vivo, ou pessoalmente, e muito mais. Ficar na pista foi perfeito, chorar com Miss Sarayevo e the universal declaration of human rights foi perfeito. Olhar os sorrisos, ouvir os berros, o som redondo, os efeitos de uma cenografia alucianante, o escuro com milhares de celulares acesos, o coro em Elevation e Beautiful Day a serenidade dos amigos, a saudade de quem tava longe, um pouco de muito amor num mundo muito, muito cruel.
Demagogia demais? Talvez, mas um espetáculo de caráter universal, onde não é preciso falar inglês para entender que o mundo precisa de mais amor e menos ambição. Falo de amor ao próximo que Vertigo pregou como COEXISTÊNCIA. É o fato de não apenas existir, mas fazer-se existente pelo outro e para o próximo, principalmente. Assim é que eu entendo.
Love. The secret is yourself.
16 fevereiro 2006
Rolling Stones & U2
Se eu sobreviver prometo contar tudinho...
14 fevereiro 2006
31 janeiro 2006
New Beginning
E que nem sempre pode-se esperar o mínimo de bom senso do outro.
Assim é.
30 janeiro 2006
Do céu
Vago? Nem tanto.
26 janeiro 2006
A – boa – expectativa é uma linha em ascensão alimentada pela força de vontade.É querer e saber onde chegar.
A – boa – expectativa tem me enchido de allegria.
Faz tudo que é ruim bater e voltar.
Detém o mau.
É minha conquista, meu suor de cada dia.
É o Bem propagado adiante.
É meu, é seu, é nosso.
Assim será.
ilustração: giulianna ronna
17 janeiro 2006
Por um pouco mais
Ontém ela realmente pensou em voltar atrás. Não que antes tenha sido a dona da história, aquela que toma o rumo das tempestades repentinas, mas de alguma forma o sentido a aguçou. Inteira.
Ainda que incerta, pensou em fazê-lo. Os pêlos se arrepiaram como quem é tocada pelo ser amado. Em pensamento.
Idéias iam e vinham vivas de incompletude e, quase gritando, se calou. Calou-se e pôs-se a escutar por horas e horas a lenga-lenga da palavra sem nexo, sem interesse, sem porto de chegada. O movimento dos lábios sem gosto que não fazem nada senão gesticular.
Por minutos sonhou que pudesse tocar e então pediu, forte: toque-me você.
Os olhos continuavam abertos, cheios de dizeres, estalando vida a cada piscar. Estava profundamente cansada. A vista - da vida - pesada. Pôs-se a sonhar.
13 janeiro 2006
Star me up
Bossa 'n Stones é minha mais recente descoberta... São releituras de várias músicas do Rolling Stones num clima bossa-lounge, cantadas em voz feminina pra lá de sensual reunidas em um único cd.
Garante boa paisagem sonora para vários momentos e, de quebra, dá aquela esquentada para o show mês que vem.
12 janeiro 2006
Os acrobatas
Ontém, menos sensível que da outra vez, e ainda sim apta a captar toda doçura e grandeza daquele que veio ao mundo para ser allegre e viver de paixão. Até a última gota. Ter medo de amar não faz ninguém feliz. Subamos... ; )
Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse fisica dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.
Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.
Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!
Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!
Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.
Como no espasmo.
E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus
Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.
E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.
11 janeiro 2006
inevitável. assim tem sido...
10 janeiro 2006
09 janeiro 2006
06 janeiro 2006
The Cure
Tuesday's grey and Wednesday too
Thursday I don't care about you
It's Friday i'm in love
O olhar vasto que nem sempre mira em minha direção, ainda que penetre firme e incisivo dentro do meu íntimo, ainda que seja intensamente para mim. Só para mim.
Nosso infinito vaga por anos, entre idas e vindas, tardes e noites, entre multidões e quatro paredes, as íntimas paredes do nosso ser.
Não me faça cruel, meu pedaço secreto de emoção.
Desvenda, explora, navega.
De verdade.
05 janeiro 2006
04 janeiro 2006
03 janeiro 2006
**
ROSA MONTEIRO - "PAIXÕES"
26 dezembro 2005
23 dezembro 2005
**
AUDREY TAUTOU
19 dezembro 2005
15 dezembro 2005
Uol confirma...
Em seu site oficial, o guitarrista mexicano Carlos Santana anuncia três apresentações no país, em São Paulo, Rio e Porto Alegre, nos dias 15, 17 e 18 de março, mesmo mês em que passam por aqui os ingleses do Jamiroquai.
Além disso, é possível que ainda em março venha para o país a aguardada banda escocesa de rock Franz Ferdinand, conforme afirmou o guitarrista Nick McCarthy a UOL Música, em entrevista exclusiva. Oasis, Coldplay, Fatboy Slim e a cantora Lauryn Hill (pu-ta-que-pa-riu!) são alguns dos nomes internacionais de peso que também estariam em negociações para realizar turnês brasileiras em 2006.
11 dezembro 2005
Na Moska!
Pronto, agora que voltou tudo ao normal. Talvez você consiga ser menos rei e um pouco mais real. Esqueça, as horas nunca andam para trás. Todo dia é dia de aprender um pouco do muito que a vida trás.
Mas muito pra mim é tão pouco e pouco é um pouco demais. Viver tá me deixando louca, não sei mais do que sou capaz. Gritando pra não ficar rouca, em guerra lutando por paz. Muito pra mim é tão pouco e pouco eu não quero mais.
Chega! Não me condene pelo seu penar. Pesos e medidas não servem pra ninguém poder nos comparar. Por que eu não pertenço ao mesmo lugar em que você se afunda tão raso, não dá nem pra tentar te salvar...
Veja, a qualidade está inferior... E não é a quantidade que faz a estrutura de um grande amor. Simplesmente seja o que você julgar ser o melhor, mas lembre-se que tudo que começa com muito pode acabar muito pior...
Porque muito pra mim é tão pouco e pouco é um pouco demais. Viver tá me deixando louca, não sei mais do que sou capaz. Gritando pra não ficar rouca, em guerra lutando por paz. Muito pra mim é tão pouco, e pouco eu não quero mais...
Pouco eu não quero mais...
Pouco eu não quero mais.
09 dezembro 2005
2006
O trecho a seguir me emociona muito. Ganhei de presente numa cartinha de aniversário que a Pó me deu. Ele me despertou lágrimas de alegria, inexplicável.
Ontém sai da terapia pensando nele e chegando em casa fui reler...
Hoje entrei no blog da Dani e lá estava, só que em português. Puta sintonia, loira!
Vale compartilhar...
"...cause the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like a fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes " Awww!"
ON THE ROAD, JACK KEROUAC
08 dezembro 2005
"...as pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas."
O PERFUME , PATRICK SÜSKIND,













