30 novembro 2004

The Office


Eu tava quietinha aqui no meu computador esperando um raio de um orçamento chegar. Coloquei um CDzinho (não foi um cd qualquer!) bem baixinho para florir a atmosfera desse escritório. É louco como a música tem o poder de te transportar pra certos lugares e como uma mesma música pode ter significados tão diferentes entre as pessoas...
Bom, anteriormente eu tinha falado de começo, meio e fim. Isso faz sentido neste post também. O começo do CD foi só uma paisagem sonora... O meio fez com que as outras pessoas da sala me pedissem para aumentar um pouco o volume. Agora já o clímax foi diferente... ele começou a me deixar pequenininha, envolta em pensamentos tão íntimos que não sei onde fui parar. Quer dizer, sei bem onde e tô voltando só agora...
Mas... sobre o quê eu queria falar mesmo?
Pera aí, deixa eu ver se o orçamento chegou...
A-ha, chegou! Bora trabalhar...


Gosto das coisas com começo, meio e fim.

26 novembro 2004

> Looping <
Spring sweet rhythm dance in my head

Slip into my lover's hands

Kiss me oh won't you kiss me now

And sleep I would inside your mouth

Don't be us too shy

Knowing it's no big surprise

That I will wait for you

I will wait for no one but you

Look please lover lay down

Spend this time with me

Together share this smile

Lover lay down

Walk with me, walk with you

Hold my hand your hands

So much we have dreamed

And you were so much younger

Hard to explain that we are stronger

A million reasons life to deny

Let's toss them away

See you and me we

Lay down look see

She and he

By my lover's side

Together share this smile

Each other's tears to cry

Together share this smile

Lover lay down

Oh please

Look please lover lay down

Oh please lover lay down

And you weep

Lover lay down

Cause it's over

Lover lay down

Say lover, say lover, say lover, say lover, say lover

Could I love you

Could you love me

Darling it's

All the same

All the same

All the same

All the same

'Til we dance away

'Til we dance away

Chasing me all around

Leading me all around

Leading me all around in circles

Leading me all around in circles

Say...

24 novembro 2004

Fodzzzzz

Terminei de transcrever as pêras das pesquisas das clientes. Era isso que tava preenchendo minha cabeça.

No aguardo da reunião-sem-fim:
- Enrico, tô carente.
- Por quê girl?
- Saudade, sabe o que é isso?
- Eu sei bem o que é saudade...
- : (
- Manu, eu acho que você tem que parar e reavaliar seus objetivos.
- Ai.
- Ui.
- Me ajuda, Fake...
- Vamos tomar um sorvete?

Ainda no aguardo:
"reavaliar meus objetivos, reavaliar meus objetivos, reavaliar meus objetivos, reavaliar meus objetivos..."

Eu tinha que ser pisciana.



Ora se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão.
Se o que eu sou é também o que eu escolhi ser
Aceito a condição.
Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando fala comigo
Quando eu sei ouvir...
RODRIGO AMARANTE

22 novembro 2004

Keep the faith


Eu descobri que eu rezo todos os dias. Descobri ontém ou anteontém, porque eu não sabia.
Em 93 minha mãe me deu um livrinho chamado Meditando com os Anjos. É destes livrinhos de cabeceira, que tem várias mensagens, você se concentra, abre e... sei lá o que ele pode causar em você.
Com o passar dos anos fui levando um pouco mais a sério aqueles valores que me eram dados "por acaso" e o livro virou hábito. Percebi que quanto mais eu colocava fé nele, mais as mensagens vinham para acrescentar.
Algumas pessoas como Jou, Rê Pêra, Kelly, Pepe Legal e - pasme - minha terapeuta se tornaram adeptos às mensagens vitais do mundo dos Anjos, e todos foram presenteados por mim com este singelo guia.
Hoje abrir os Anjinhos se tornou um momento íntimo pra mim. Cada vez que fecho os olhos agradeço por tudo de bom que tem acontecido, vejo minha vida como um filme, meus pedidos são cuidadosamente atendidos conforme o sincronismo dos acontecimentos deste mundo doido dentro e fora de mim.
Só me resta agradecer. Minha mãe, meus anjinhos e minha inspiração, essa sensibilidade sem tamanho dentro de mim.
Viva o sexto sentido!

18 novembro 2004

Amphetamines for your life



Não tenho escrito muito, minha inspiração não anda em alta. Ou melhor, minha inspiração para o blog não anda em alta, ela tem se esgotando no(s) trabalho(s).
Enfim, meu momento relax na internet tem sido através do Fantástico Mundo de Fake. Sem desmerecer o The Roof is on Fire, que eu adoro; este novo endereço e template sem dúvida inspiraram - e muito - nosso amigo Fake.
Pra começar a entender o que estou falando, primeiro entre no Blogger Brasil e dê uma observada na página principal. O segundo passo é entrar na Fakeland. Como ainda é um bebê recém nascido, leia desde o primeiro arquivo. Devorar é fato. Acompanhar diariamente é consequência.

Grande Fake... Vai ser louco assim na Fakeland...




16 novembro 2004

11 novembro 2004

What about you my friend?


Pela Marginal... com Radiohead

>>> Everybody hurt <<<

**Fala aí Fake?!

09 novembro 2004

The only thing constant in the world is CHANGE.

08 novembro 2004

Time after time


Dormir - e sonhar muito - como o maior ato de conforto.
Abraçar o travesseiro como quem tenta aquecer o coração.
Olhar pro teto branco e pálido e ver estórias projetadas.
Encher o sábado de afazeres que não levaram a lugar nenhum.
Gargalhar sei lá do quê, sozinha, debaixo do cobertor.
Trocar confissões com sua homemate só pelo olhar.
Fazer perguntas sem resposta.
Cozinhar abobrinhas para si mesma.
Dormir em todos os filmes e assim, assití-los por capítulos, como uma novela.
Se perder nas trilhas sonoras como quem se perde num caminho sem volta.
Beijar por beijar.
Boiar na multidão da noite paulistana.
Esperar ansiosa pela segunda-feira atribulada de trabalho.
Tentar dormir um pouco mais.
Sentir saudade.
Saudade.
Muita saudade.



05 novembro 2004

Deu Bush

Para os americanos branco é branco, preto é preto (e a mulata não é a tal)
Bicha é bicha, macho é macho
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro

E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se
Concedem-se, conquistam-se direitos
Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime

E dançamos com uma graça cujo segredo nem eu mesmo sei
Entre a mesmice e a desgraça
Entre o monstruoso e o sublime

Americanos não são americanos
São velhos homens humanos
Chegando, passando, atravessando
São tipicamente americanos

Americanos sentem que algo se perdeu
Algo se quebrou, está se quebrando

03 novembro 2004

29 outubro 2004

Mereceu um post!



O que me dá maior prazer além da música é o beijo na boca. Aquele lance do beijo que é o fósforo aceso na palha seca do amor! O beijo começa tudo; é da boca que vem a relação...a primeira vez que se entra numa pessoa. Pra mim é essencial.

CAZUZA,
** ; ) Tô contigo e não abro!

27 outubro 2004



Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus –, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer – eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos, traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector – Tentação – na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou – descuidado, também – em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.

Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

CAIO FERNANDO ABREU, PEQUENAS EPIFANIAS



21 outubro 2004

Party Monster



Tentar descrever provavelmente estraga, então só tenho uma coisa a dizer: QUEM NÃO FOI NO CHEMICAL BROTHERS É VACILÃO! Foi do caraaaaaaaalho!

Depois de um curto showzaço, ir pra Love.e ouvir um funk foi o mais descolado a se fazer. Começou com o Dj Marlboro (lembra do Planeta Xuxa?), sonzeeeera tudo de bom! Mais tarde, quando me dei conta, estávamos tomados por nada mais nada menos que o funk carioca de raíz. É, euzinha! Nós, Monstritos! Com direito a Tchuchuca, Egüinha Pocotó, Tá dominado, e por aí vai... Mas quem diria, hein?!

É muita onda...

Próximo evento: 2manydjs, dia 5, 1h da manhã no Tim Festival.

; )

Mais uma dose
É claro que eu tô a fim
A noite nunca tem fim, não
Por quê a gente é assim?
CAZUUUUUZA



16 outubro 2004

It´s gone



Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar

O meu amor foi embora

(...)

É eu vou pra Bahia, talvez eu volte qualquer dia...

O certo é que eu tô vivendo, eu tô tentando...

*

Hoje eu acordei com sono e sem vontade de acordar

Como pode alguém ser tão demente,

porra louca, inconsequente e ainda amar?

E ver o amor como um abraço curto pra não sufocar...

15 outubro 2004

*

you know when you´ve found it because you feel it when they take it away

DAMIEN RICE
*
Cada coisa tem um instante em que ela é
Quero apossar-me do é da coisa
Esses instantes que decorrem no ar que respiro
Em fogos de artifício eles espocam mudos no espaço
*
Quero possuir os átomos do tempo
E quero capturar o presente que pela sua própria natureza
O presente me foge
A atualidade sou eu sempre no já
*

CLARICE LISPECTOR

14 outubro 2004

On' on



E como diz minha amiga Erykah Badu, I can't control the soul flowin' in me.

Sim, afligia muito querer e não ter. Ou não querer e ter. Ou querer e ter. Ou qualquer outra, enfim, dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um...

DEPOIS DE AGOSTO, CAIO F. DE ABREU

07 outubro 2004

Coisas de Kelluda


INDECISÃO: é quando você sabe exatamente o que quer mas acha que deveria querer outra coisa.

06 outubro 2004

Assim... Sussa!


A tua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença desintegra, atualiza a minha presença
A tua presença envolve meu tronco, meu braços e minha pernas
A tua presença é branca, verde, vermelha, azul e amarela
A tua presença é negra
A tua presença transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença é tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda natureza
A tua presença mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença

05 outubro 2004


Para a dor irremedivével: fé. Para o imutável: aceitação.

01 outubro 2004

Pela manhã

E o dia cinzento me pareceu azul

Um azul com quê de cor-de-rosa

Um rosa de tom íntimo

Perfeito

Que os cegos não vêem

O rosa do coração

30 setembro 2004

Like a driftWOOD


You´re driftwood
floating underwater
breaking into peaces
peaces
peaces...

29 setembro 2004

Silenzio.
No hay banda!

Assisti Mulholland Drive (Cidade dos Sonhos) pela segunda e terceira vez essa semana. Era necessário, pois é o tipo de filme intrigante que não dá pra se contentar em assistir uma só vez. Roteiro, produção e fotografia de tirar o chapéu, é sem dúvida o filme mais maluco que já vi. Uma mistura de sonho e realidade que gera muita coisa pra se pensar.
Além disso, o filme é dono de uma das cenas mais lindas do cinema: Numa madrugada sinistra, o Clube Silencio apresenta a "Chorosa de Los Angeles", Rebekah Del Rio, que se põe a cantar uma canção cheia de dor que diz assim:

Eu estava bem
Por um tempo
Voltando a sorrir
Mas ontém a noite te vi
Tua mão me tocou
E tua voz me chamou

Conversei muito contigo
Mas não percebeste
Que eu estava chorando
Por teu amor
Chorando
Por teu amor

Depois do teu adeus
Senti toda a minha dor
Só e chorando
Chorando
Chorando
Chorando

Não é fácil entender
Que ao ver-te outra vez
Eu esteja chorando
Eu que pensei
Que havia te esquecido
Mas é verdade...
A verdade
É que eu te quero mais ainda
Muito mais que já quis

Diga-me o que posso fazer
Você não me quer mais
E eu sempre estarei
Chorando por teu amor
Corando por teu amor

Teu amor tomou
Todo meu coração
Que ficou chorando
Chorando
Chorando
Chorando...



Impossível é descrever a atmosfera que envolve tudo isso. É assistir e conferir ; )

24 setembro 2004

Limit



Pride can stand a thousand trials

The strong will never fall

But watching stars without you

My soul cries

21 setembro 2004

E não é que o dia nasceu feliz?!

Depois de uma sexta e sábado nada usuais, assisti Benjamin, Proposta Indecente e... capotei. Acordei domingo com os passarinhos, fui tomar sol na casa da Fá e eu, Pepe e Jou fomos tomados por uma inquietação que nos levou até o rapel da Sumaré. Nada melhor pra se fazer naquele momento.
O dia tava lindo, andar na marginal à 100/ hora ao som de Billie Paul, Your Song, nos fez sentir, de fato, felizes como numa propaganda de margarina.
5 reais, duas decidas, foi o preço da brincadeira que relaxou de modo que me fez descer bocejando no second round (este de ponta-cabeça!). A Fabi ficou de fora, disse que é mais fácil saltar de pára-quedas do que descer de rapel. Ah, vá...

Cheguei em casa com os olhos lacrimejando de sono, mas sem poder pensar em descansar: banho e Básico.
A segunda edição do Cazuza foi foda. Não sei o que acontece com a gente, mas nosso corpo é tomado por um êxtase sem tamanho. É bom cantar músicas que você concorda com a letra do começo ao fim. Acho que é isso... Quase como um grito de guerra.
A noite foi passando e o Básico parecia um circo. O balcão e o palco foram tomados por aquelas pessoas descontroladas de emoção. Cambalhotas, e estrelas não são nada perto das performances que eu vi. Eu não sei dizer quem tava mais louco! Tudo que tocava fazia a galera bombar, teve uma hora que até virou baile anos 50. Sensacional.

Dormir em Itapecerica foi a saída pra ter uma segunda-feira menos impactante. E antes do boa-noite, um nascer do sol de tirar o fôlego ao som de Jeff Buckley. I N T E N S O.

A semana começou e fluiu de forma perfeita pra curar a ressaca do domingo (demorou pra eu me convencer que era segunda!).
Almoço no Da Roça, comidinha caseira, muita coca light com gelo e limão no meio de uma chácara deliciosa foi o primeiro passo ao acordar.
Depois fomos conhecer o Kankaku Ji, que é um templo budista num parque maravilhos lá em Itapecerica da Serra. Deu pra dar um relax forte...
Caminhar descalça e sentar na grama continua sendo impagável pra mim. Prazeres tão simples que me revitalizam inteira.

21 gramas foi o filme que fechou o dia. Perfect!

Depois posto fotos para ilustrar!





15 setembro 2004

Do céu


As pessoas fracassam por não fazerem escolhas coerentes com seus desejos .

Pro dia nascer feliz



Domingo, 19/09, é dia de Homenagem ao Cazuza.
Insônica + Rock Diggers + Groove Básico + Convidados Especiais lideram o palco com os sucessos do maior poeta do rock'n roll.

Vai perder?

Preço único: R$ 20,00 (R$ 13,00 consumíveis)
Música ao vivo a partir das 21:30h.


Todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito...
E que a solidão é pretensão de quem fica escondido fazendo fita...

13 setembro 2004

I N T E N S O



Sentir então uma vontade confusa e irresistível de uma música imensa, de um barulho absoluto, de uma bela e alegre algazarra, que englobaria, inundaria e destruiria todas as coisas.
A música como negação das frases, a insignificância das palavras...

10 setembro 2004

Mama´s gift



Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.

Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que... NORMALIDADE é uma ilusão imbecil e estéril.


OSCAR WILDE

09 setembro 2004

A lenda do cume


O Seu Zé, caseiro do Zito em Ubatuba, nos ensinou o seguinte: que se o cume da montanha do outro lado do mar estivesse coberto, os próximos dias seriam nublados, chuvosos, daquele jeito que é Ubachuva...
Enfim, logo no primeiro dia, o cume fechou totalmente. Desespero geral... Os dias nublados se passavam e só o cume interessava.
Para passar as horas, muitos toques de culinária com o Zito... Macarrão à carbonara, picanhas fatiadas a la carpaccio e pintinhos, ops, ovos matinais mexidos que só ele sabe fazer, e que até o final do feriado ganharam um toque especial de alho poró tornando-os ainda mais inesquecíveis.
O cume decepionava. Dorme e acorda e o cume fazia chorar...
Enquanto isso a regra era comer, jogar truco (Manu e Zito invensíveis!), beber o quanto aguentasse e se superar na quentura da jacuzzi.
O Felipe aprendeu a mexer no CDJ, e todos nós fomos cobaias de seus psy mixes ao longo do feriado. Ele até que leva jeito, e fala que achou uma nova profissão: DJ PEPPE (com dois pês, porque fica mais forte!).
Saídas de casa só para abastecer a dispensa e celular só para checar o tempo pelo resto do litoral. Fabi dizia que em Maresias o clima estava abençoado, Jou disse que Parati estava um sol insano. Como pode?!
O cume irritava... mesmo quando o cume limpava o tempo não abria. Cheguei a conclusão que o cume confundia, o cume enganava.
Segunda-feira se passou e o tempo o mesmo cu. Eu e Kelluda, pra lá de desanimadas com o cume, resolvemos dormir na rede de casal com direito a travesseiro e cobertor. O Pepe disse que estávamos dormindo com cara de feliz... Acho que isso ajudou o cume abrir!
Terça-feira, isso mesmo, no último dia do feriado, o cume alegrou. Solzera master com direito a pulo da pedra, piscina e muito rock nacional para abençoar o Deus Sol.
Fiz de tudo para voltar só na quarta - feira. Acordo às oito da manhã e... o cume cobriu de novo. Fiquei puta. Com o cume, comigo, com tudo.
Descemos para degustar a última leva de pintinhos com alho poró, desta vez, de costas pro mar e... de repente alguns raios de luz começaram a me cercar! Opa, O cume entendeu! E o cume ajudou!
Biquinão e mais um pulo da pedra! Este já sem medo, pois o cume incentivou!
No fim, o feriado foi tudo de bom. Graças à ele ou não, só o cume fez feliz!
Valeu moooooito ; )


03 setembro 2004

So...


...quem canta seus males espanta!

Delícia de foto, com minha noiva predileta, ao som de Cazuza!

Nadando contra a corrente só pra exercitar...

Tudo errado


Ontém eu descobri o que é estar na famosa "bolha". É, eu estava. Ou melhor, estávamos.
É quando as pessoas, todas elas, te parecem extremamente chatas, e na verdade, quem deve estar chato pra caralho é você.
Nada que pudéssemos conversar poderia fazer sentido pra alguém.
A música soava como num outro patamar. Parecia não haver interação entre o meu corpo e o corpo dos demais.
Um sonho. Acho que é isso. Um destes sonhos sinistros, que parecem realidade e tampouco chegam perto de ser, de fato, reais.
Deve ser a influência da lua, que às dez da noite estava maravilhosa, porém sinistra. Baixa, enoooorme e avermelhada, de uma forma que só fica às sete da noite.

Tudo errado. Ou certo demais, esse é o pior.

É melhor dormir. Prefiro as coisas palpáveis.

29 agosto 2004

A-do-reei


Os opostos se distraem e os dispostos se atraem.

27 agosto 2004

De novo



Você constrói a sua jaula e nela quer ficar. Cuidado!
Eu faço o que eu acho que deve ser feito na hora certa.
Tem diferença entre paixão e projeção?
Será que terei que me tornar insensível só pra suprir a demanda do mercado atual?
Quanto mais eu me acho, mais eu me perco.
Mas que os tambores batam...
E que tudo se acenda... Forte!

Filmes da Semana

- Irreversível > Pesadíssimo, pra se ver uma vez e depois checar os efeitos especiais para entender como se produz tamanha violência.
- O Fabuloso Destino de Amelié Poulán > Pela sexta vez pra provar pra Fabi que Amelié é tudo!
- Divinos Segredos - Duas tentativas falidas, desisti antes do final, sandra Bullock não dá!
- Adeus Lênin > Fantástico. Até onde o amor é capaz de tranformar a realidade.
- Big Fish > Uma visão mágica e encantadora do mundo. Onde tudo começa e como tudo termina. Demaaaaais
- Deixa Rolar > Filminho adolescente que não acrescentou nada.
- Magnólia > Demaaaaais. Humano. Desvenda a hipocrisia entre mil outras coisas bem peculiares. De cara assisti duas vezes, o que me fez gostar mais ainda. Fora que a trilha é tudo. Aimee Mann é tudo. Então aí vai:



It's not what you thought
When you first began it
You got what you want
Now you can hardly stand it though
By now you know it's not
Going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure there's a cure
And you have finally found it
You think one drink
will shrink you 'til
you're underground and living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

No it's not going to stop
'Til you wise up
Now it's not going to stop
So just give up


AIMEE MANN



18 agosto 2004

17 agosto 2004

Lambe - lambe

Uma singela homenagem ao meu chefe, amissíssimo e companheiro Romeuzinho...

FELIZ ANIVERSÁRIO É POUCO PRA ELE.
Este é O CARA! Tô mentindo?!

13 agosto 2004

Tua

7 sonhos que não me mostram outra coisa senão o poder do inconsciente.
Interpretá-los se torna a maior prova de que eu posso tudo, menos fugir de mim mesma.



Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou... (CAZUZA)

10 agosto 2004

Inspira, inspira, inspira...


" Não tiro minha lucidez das estrelas, e sem dúvida acredito-me conhecedor de astrologia, mas não para dizer de boa ou má sorte, de pragas, de mortes, ou qualidades das estações.
Tampouco posso prever a fortuna em breves minutos, assinalando a cada um seu trono, chuva ou vento, ou prever aos príncipes se tudo sairá bem com frequentes presságios que encontro no céu.
Mas de teus olhos eu tiro meu conhecimento e nas estrelas fixas leio tal arte: que verdade e beleza floresceram juntas se te converteres em guardião de ti mesmo. Do contrário prognóstico isso: que teu fim será o término da verdade e da beleza."

SHAKESPEARE , SONETOS DE AMOR

Don´t play stupid with me. I´m better at it.

05 agosto 2004

Sweet Sweet Baby


Energia pouca é bobagem.
O show da Macy Gray foi INSANO, no sentido mais real do palavreado da Estellita aqui. Superou toda e qualquer expectativa, fazendo valer cada centavo.
Macy no vocal principal - que não é tããão principal assim, porque as duas backings seguram uma onda foooorte no som - duas baterias, três teclados, baixo, percussão e dj. O resultado disso tudo são arranjos perfeitos, descolados, hyperdançantes, sensuais e... contagiantes! Toda música com introdução totalmente diferente da original, o que fez que o show fosse uma surpresa a todo momento.
Macy é muito sweety e passou mensagens reais, humanas e românticas. Tentou nos transmitir a importância de olhar nos olhos e falar sem medo o que se sente (eu não sabia nada sobre isso! Rs...) e foi essa idéia que introduziu o hit I Try, que realmente me surpreendeu com tamanha intensidade.
No meio disso mensagens como everything is gonna be alright, do Rei Bob fizeram a energia fluir mais e mais. Dava pra sentir na ponta dos dedos.
Depois de muita coisa boa, inevitável o medo de que o show chegasse ao final. Macy manda beijos e sai do palco. O baixista toma a frente do palco com um lindo solo e retira-se também. O tecladista, idem. As maravilhosas backing vocals soltam o vozerão e enquanto uma delas sai a outra domina o teclado com notas de Things´ll will never change do E-40, lógico, com letra adaptada. O baterista despiroca um pouco e sai, a percussionista tenta despirocar e sai também. Resta o dj, que faz uma virada e deixa rolar um som. Dá aquele aceno e retira-se do palco. Tortura, né?
Depois disso só resta chupar o dedo. E ir pro Kiaora pra não voltar pra casa., senão eu ia engolir o colchão, tamanha adrenalina.
Sensacional. Realmente marcou.
Presenteie-se com um ingresso, do it for you!

Já contei tudo do show? De jeito nenhum... Só vendo pra crer!


02 agosto 2004

Unbearable lightness of being


"O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos fardos é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da realização vital mais intensa. Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.
Em compensação, a ausência total do fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar. Leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi real, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.
O quê escolher então? O peso ou a leveza?"

MILAN KUNDERA, A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

Antes de chegar na metade do livro já vi que dá de mil no filme! Aconselho ; )

29 julho 2004

De madruga


Estava envolta em pensamentos que eu tinha conseguido evitar durante boa parte do ano. E quer saber?
SEJA O QUE FOR!

Duas pessoas só se machucam quando duvidam do amor que sentem.
DOGVILLE

27 julho 2004

Mama said



"We can't ever go back to old things or try and get the 'old kick' out of something or find things the way we remembered them.

We have them as we remember them and they are fine and wonderfuland.

We have to go on and have other things because the old things are nowhere except in our minds now."

; )

HEMINGWAY to Bill Horne, Paris 1923

A voz do silêncio


O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem.

14 julho 2004

El hombre invisible


Saber ler espanhol ajuda, mas a força deste poema é tão grande que vai além de cada minucioso significado.
Vale a pena ler com calma.
Confesso que quando li pela primeira vez, ao término, me senti meio sem ar. É... o ar vai faltando aos poucos.
Apoiada em ritmo e métrica perfeita, esta é a poesia de Pablo Neruda. So enjoy!
Dedico do fundo do meu coração a Renata Pêra, minha españollita que eu tô morrendo de saudade...

Yo me río,
me sonrío
de los viejos poetas,
yo adoro toda
la poesía escrita,
todo el rocío,
luna, diamante, gota
de plata sumergida,
que fue mi antiguo hermano,
agregando a la rosa, pero
me sonrío,
siempre dicen “yo”,
a cada paso
les sucede algo,
es siempre “yo’,
por las calles
sólo ellos andan
o la dulce que aman,
nadie más,
no pasan pescadores,
ni libreros,
no pasan albañiles,
nadie se cae
de un andamio,
nadie sufre,
nadie ama,
sólo mi pobre hermano,
el poeta,
a él le pasan
todas las cosas
y a su dulce querida,
nadie vive
sino él solo,
nadie llora de hambre
o de ira,
nadie sufre em sus versos
porque no puede
pagar el alquiler,
a nadie en poesía
echan a la calle
con camas y con sillas
y en las fábricas
tampoco pasa nada,
no pasa nada,
se hacen paraguas, copas,
armas, locomotoras,
se extraen minerales
rascando el infierno,
hay huelgas,
vienen soldados,
disparan,
disparan contra el pueblo,
es decir,
contra la poesía,
y mi hermano
el poeta
estaba enamorado,
o sufría
porque sus sentimientos
son marinos,
ama los puertos
remotos, por sus nombres,
y escribe sobre océanos
que no conoce,
junto a la vida, repleta
como el maíz de granos,
él pasa sin saber
desgranarla,
él sube y baja
sin tocar la tierra,
o a veces
se siente profundísimo
y tenebroso
él es tan grande
que no cabe en sí mismo,
se enreda y desenreda,
se declara maldito,
lleva con gran dificultad la cruz
de las tinieblas,
piensa que es diferente
a todo el mundo,
todos los días come pan
pero no ha visto nunca
un panadero
ni ha entrado a un sindicato
de panificadores,
y así mi pobre hermano
se hace oscuro,
se tuerce y se retuerce
y se halla
interesante,
interesante,
ésta es la palavra,
yo no soy superior
a mi hermano
pero sonrío,
porque voi por las calles
y sólo yo no existo,
la vida corre
como todos los ríos,
yo soy el único
invisible,
no hay misteriosas sombras,
no hay tinieblas,
todo el mundo me habla,
me quierem contar cosas,
me hablan de sus parientes,
de sus miserias
y de sus alegrías,
todos pasan y todos
me dicen algo,
y cuántas cosas hacen!
cortan maderas,
suben hilos eléctricos,
amasan hasta tarde en la noche
el pan de cada día,
con una lanza de hierro
perforan las entrañas
de la tierra
y converten el hierro
en cerraduras,
suben al cielo y llevan,
cartas, sollozos, besos,
en cada puerta
hay alguien,
nace alguno,
o me espera la que amo,
y yo paso y las cosas
mi piden que las cante,
yo no tengo tiempo,
debo pensar en todo,
debo volver a la casa,
pasar al Partido,
qué puedo hacer,
todo me pide
que hable,
todo me pide
que cante y cante siempre,
todo está lleno
de sueños y sonidos,
la vida es una caja
llena de cantos, se abre
y vuela y viene
una bandada
de pájaros
que quieren contarme algo
descansando en mis hombros,
la vida es una lucha
como un río que avanza
y los hombres
quieren decirme,
decirte,
por qué luchan,
si mueren,
por qué mueren,
y yo paso y no tengo
tiempo para tantas vidas,
yo quiero
que todos vivan
en mi vida
y cante en mi canto,
yo no tengo importancia,
no tengo tiempo,
para mis asuntos,
de noche y de día
debo anotar lo que pasa,
y no olvidar a nadie.
Es verdad que de pronto
me fatigo
y miro las estrellas,
me tiendo en el pasto, pasa
un insecto color de violín,
pongo el brazo
sobre un pequeño seno
o bajo la cintura
de la dulce que amo,
y miro el terciopelo duro
de la noche que tiembla
con sus constelaciones congeladas,
entonces
siento subir a mi alma
la ola de los misterios,
la infancia,
el llanto en los rincones,
la adolescencia triste,
y mi sueño,
y duermo
como un manzano,
me quedo dormido
de inmediato
con las estrellas o sin las estrellas,
com mi amor o sin ella,
y cuando me levanto
se fue la noche,
la calle ha despertado antes que yo,
a su trabajo
van las muchachas pobres,
los pescadors vuelven
del océano,
los mineros
van con zapatos nuevos
entrando en la mina,
todo vive,
todos pasan,
andan apresurados,
y yo tengo apenas tiempo
para vestirme,
yo tengo que correr:
ninguno puede
pasar sin que yo sepa
adónde va, qué cosa
le ha sucedido.
No puedo sin la vida vivir,
sin el hombre ser hombre
y corro y veo y oigo
y canto,
las estrellas no tienen
nada que ver conmigo,
la soledad no tiene
flor ni fruto.
Dadme para mi vida
todas las vidas,
dadme todo el dolor
de todo el mundo,
yo voy a transformarlo
en esperanza. Dadme
Todas las alegrías,
aun las más secretas,
porque si así no fuera,
cómo van a saberse?
Yo tengo que cantarlas,
dadme las luchas
de cada día
porque ellas son mi canto,
y así andaremos juntos,
codo a codo,
todos los hombres,
mi canto los reúne:
el canto del hombre invisible
que canta con todos los hombres.