30 agosto 2010

Euforismo, Histeria. Realidade e Ficção.

(...) Além disso, a desgastante alegria de Jude tinha um toque esquisito de histeria. Se a gente inclinasse apenas meio ouvido para seu discurso alvoroçado, ficava dificil dizer se ela estava rindo ou chorando. E isso apesar de ela rir muito, inclusive durante quase toda a extensão de suas frases, tornando a voz mais aguda à medida que se impelia para uma hilaridade em crescente aceleração, quando nada do que dizia era engraçado. Era um riso compulsivo, deflectivo, mais nascido dos nervos do que do humor, um recurso de mascaramento e, portanto, meio desonesto.


Lionel Shriver em "O mundo pós-aniversário"

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